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Euro valorizado prejudica França e beneficia Alemanha

Déficit comercial francês supera 15 bi e superávit alemão passa de 97 bi

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

O euro valorizado afeta as exportações da França. Para reduzir o impacto do câmbio, Paris reage com um pacote de medidas para tentar dar competitividade ao setor exportador. Ontem, o governo francês anunciou que o déficit comercial do país já superou a marca de 15 bilhões no primeiro semestre. Já a Alemanha divulgou ontem também o resultado de sua balança comercial e, apesar de enfrentar os mesmos problemas com o euro, consegue resultados que estão surpreendendo e chegam a um superávit de 97 bilhões no primeiro semestre.Na França, o déficit comercial foi de 3 bilhões em junho, agravando a situação e exigindo que o novo governo de Nicolas Sarkozy anuncie medidas para compensar a perda de competitividade diante da valorização do euro em relação ao dólar. A moeda européia atingiu seu nível máximo nos últimos dias, superando a marca de 1,37 por dólar.O pacote inclui a simplificação de procedimentos burocráticos, o desenvolvimento de pesquisa e até a redução de impostos para os exportadores, uma das promessas do presidente francês durante a campanha eleitoral.Diante do buraco cada vez maior nas contas, o secretário de Comércio Exterior da França, Hervé Novelli, não acredita sequer que haja um clima propício para que as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) sejam concluídas.Para ele, as chances de um acordo são ''''pequenas'''' com o que existe hoje sobre a mesa. Os europeus querem uma abertura maior de mercados nos países emergentes e se recusam a abrir seu próprio mercado para os produtos agrícolas de países como Brasil. Na avaliação do governo, o déficit poderia aumentar ainda mais nos próximos anos se essa liberalização ocorresse.Já em Genebra, diplomatas não escondem que temem ''''tentações protecionistas'''' de governos que estejam sofrendo com o câmbio.ALEMANHASituação bem diferente vive a Alemanha. O país apresenta taxas de crescimento das exportações que estão surpreendendo até mesmos os economistas mais experientes da OMC. A Alemanha é hoje a maior potência exportadora do mundo, mas cálculos na OMC apontavam que a China, segunda colocada, poderia superar Berlim até o fim do ano.Mas, com o desempenho dos primeiros meses de 2007, os alemães poderão manter o posto de líder até o fim do ano. De fato, o excedente comercial alemão no primeiro semestre foi 28% maior que no mesmo período de 2006.Parte da explicação do sucesso alemão ocorre por causa da composição de seus clientes. Mais de 60% das exportações hoje vão para os demais países da zona do euro e, portanto, a valorização da moedaacaba não tendo tanto impacto. Mas uma prova de que no restante do mundo os alemães também começam a sentir os efeitos da moeda é o setor automobilístico. Berlim tem sofrido uma queda em suas vendas de carros para o mercado americano desde o início do ano.Pelos cálculos da Alemanha, o impacto somente seria sentido se o euro ultrapassasse a marca de 1,50 por dólar, o que faria até mesmo com que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país fosse reduzido em 0,5% em 2008. Para 2007, porém, a previsão continua sendo de 3% de crescimento do PIB.

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