Europa adia para março capitalização do fundo de resgate

O aumento do capital do Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF) exigirá mais tempo e discussões do que o previsto. Reunidos ontem à noite, em Bruxelas, os ministros de Economia e Finanças dos 17 países da zona euro decidiram postergar até março uma definição sobre a necessidade ou não de incrementar o fundo, que conta com ? 750 bilhões, entre dinheiro próprio, garantias bancárias e recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

Desde o início da manhã, as autoridades que participariam do debate anunciavam a dificuldade de um acordo, já que a Alemanha se mostra reticente com a proposta do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, de aumentar os recursos. Desde a última semana, alguns ministros das Finanças defendem que o montante seja dobrado - chegando a ? 1,5 trilhão - para prevenir o contágio da crise em Portugal, Espanha e Itália, como já ocorreu com a Grécia e Irlanda.

A maior preocupação dos dirigentes que pregam a recapitalização do fundo é o fato de que, dos ? 440 bilhões empenhados pela União Europeia, cerca de ? 250 bilhões representam o capital capaz de ser empregado rapidamente em caso de turbulência.

Paradoxalmente, foi o sucesso das operações de refinanciamento de ? 10 bilhões, feitas por Portugal, Espanha e Itália no mercado financeiro na semana passada, que acabaram com a urgência do debate em Bruxelas. Segundo o ministro da Economia da Alemanha, Wolfgang Schäuble, "não há urgência para a tomada de uma decisão". Ao que tudo indicava na noite de ontem, a definição sobre a elevação ou não do montante disponível no EFSF ficaria para março.

Segundo Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro de Luxemburgo e presidente do fórum de ministros de Economia e Finanças (Ecofin), as discussões serão prolongadas para que, além do aumento dos recursos do EFSF, sejam discutidos novos esforços fiscais dos países em crise. "Nós só vamos começar a discutir hoje uma resposta palpável à uma crise que perdura", afirmou.

A reunião dos ministros ganhou a atenção dos mercados financeiros, que fecharam próximos da estabilidade em todo o continente. Em Paris e Londres, os índices CAC 40 e FTSE 100 caíram 0,2%. Já em Frankfurt o DAX ficou estável.

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