Europa ainda busca solução para dívida grega

Ministros de Finanças da zona do euro fizeram ontem a terceira reunião em uma semana sem chegarem a um acordo

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2012 | 02h11

A Europa ainda patina para encontrar uma solução para a Grécia, mesmo depois de três anos de negociações. Ontem, ministros de Finanças da Europa entraram pela madrugada em busca de um acordo para liberar 31,5 bilhões para a Grécia, socorrer a economia local e evitar que o país fique sem dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos.

Mas o Fundo Monetário Internacional (FMI) exige que a Grécia reduza seu déficit em 40 bilhões no curto prazo para que a ajuda continue a ser dada e os prazos ampliados.

No começo da tarde, o comissário de Economia da Europa, Olli Rehn, havia indicado que o bloco estava "a pouco centímetros" de chegar a um acordo para o resgate da Grécia e insistiu que o pacote acabaria com as "incertezas que continuam a pesar sobre o país".

Mas o que parecia uma distância curta a ser percorrida acabou entrando pela noite, com ministros em uma verdadeira batalha. O encontro foi o terceiro em apenas uma semana para tentar fechar o pacote de ajuda e os impasses escancararam a dificuldade que a Europa ainda encontra para decidir de que forma deve ajudar governos em dificuldade.

Momentos antes do encontro, havia o consenso de que uma decisão era necessária, até mesmo para dar um sinal político do compromisso da zona do euro em continuar a apoiar a Grécia, depois de todos os cortes que Atenas promoveu em seus gastos e que já levarão o país ao sexto ano de recessão.

"Peço a todos na Europa e ao FMI para que percorram o último quilômetro para o acordo. De fato, já estamos no último centímetro", disse Rehn, antes da reunião. "A Grécia fez sua parte e agora cabe ao FMI e à Europa cumprir a sua", declarou.

O objetivo dos gregos é conseguir que os europeus aceitem ampliar o prazo para a devolução do empréstimo que o país recebeu e que as taxas de juros sejam reduzidas. Para isso, conseguiram aprovar uma reforma, com mais cortes nos gastos públicos.

No total, 30 bilhões seriam dados, além de outros 10 bilhões para que Atenas recompre a própria dívida.

Prazo. A maior dificuldade, porém, estava no prazo que a Grécia teria para trazer sua dívida a um nível aceitável. Originalmente, Atenas aceitou que, em 2020, sua dívida estaria em 120% do PIB - hoje é de quase 200%. Mas agora o governo grego quer rever para cima essa taxa de 2020.

Ontem, o FMI indicou que aceitaria flexibilizar o projeto inicial. Mas queria um corte de 20% imediato, o que representaria 40 bilhões. O restante seria adotado até 2020 e o Fundo acataria um plano para que a dívida acabe estacionada em 125% do PIB.

Outro ponto de discórdia é se haveria um perdão da dívida grega. O FMI já indicou que aceitaria um perdão de 50% da dívida pública. Mas a Alemanha é contra e já indicou que o tema nem sequer foi incluído na agenda da reunião de ontem. Para o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, um corte da dívida seria "legalmente impossível". Para a associação de bancos da Alemanha, a medida só deve ser adotada como uma última alternativa.

Outra forma de ajudar os gregos seria convencer o Banco Central Europeu (BCE) a abandonar os lucros que teria com os papéis do Tesouro grego que comprou. Mas nem todos estão dispostos a abrir mão desses lucros, entre eles, o BC alemão.

O ministro grego de Finanças, Yannis Stournaras, insistia no meio da tarde que estava "confiante" de que a Europa terminaria o dia com um acordo. Já em Atenas, pesquisas de opinião indicavam que o partido contrário a qualquer acordo com a Europa, o Syriza, lideraria nas pesquisas de opinião, reforçando as incertezas em relação às futuras reformas que terão de ocorrer no país.

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