Europa ainda é uma ameaça à estabilidade, aponta FMI

Relatório do Fundo mostra ainda que embora menos afetados pela crise, países emergentes precisam ficar alertas

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2011 | 00h00

A estabilidade mundial ainda não está assegurada e há uma série de desafios a serem superados para evitar uma nova deterioração do cenário. A situação econômica permanece melhor nos mercados emergentes, sendo mais complicada em economias avançadas. A conclusão é do relatório sobre a Estabilidade das Finanças Globais, divulgado ontem pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington.

Um dos principais focos dos problemas que podem emergir no curto prazo é a Europa. "A interação entre os sistemas financeiro e os riscos de crédito soberano na zona do euro permanecem como um fator crítico. São necessárias políticas que lidem com as vulnerabilidades fiscais e no sistema bancário", adverte o relatório.

Países emergentes, como o Brasil, que foram menos afetados pela crise, também precisam ficar alertas, apesar de estarem contribuindo para o crescimento mundial. Governos "em mercados emergentes devem observar sinais de bolhas em alguns setores" e tomar cuidado "com o crédito excessivo".

Apesar dessas advertências, segundo o FMI, "a performance do mercado financeiro tem sido favorável no início de 2011, refletindo um clima econômico mais promissor, com mais liquidez e expansão do apetite por risco". Além disso, os mercados "avançados e emergentes têm crescido desde outubro de 2010", quando foi divulgado o último relatório.

O valor das commodities subiu, com os preços de petróleo, comida, metais e outros produtos primários se elevando rapidamente, segundo o FMI. O órgão não advertiu para o risco de inflação. Apenas frisou, mais uma vez, que a melhora no cenário econômico ainda não repercute positivamente nos sistemas bancários e no risco soberano de países desenvolvidos.

Na mesma linha de relatórios anteriores, o FMI demonstrou preocupação com as economias da Grécia, Irlanda, Portugal e, em menor escala, Itália e Espanha. Apesar de ainda restrita à zona do euro, segundo o relatório, os problemas enfrentados no sistema bancário desses países podem se expandir para outras regiões do mundo. Nos Estados Unidos, o obstáculo maior para as finanças continua sendo o risco de calote no pagamento de empréstimos para a compra de imóveis comerciais e residenciais. Esse foi um dos fatores que provocaram a eclosão da crise em 2008.

Ao abordar os mercados emergentes, o FMI lembrou que a dívida privada em alguns países como Brasil, Chile, China, Índia e Coreia do Sul está atingindo os níveis mais elevados desde 1996.

O FMI também advertiu que algumas das políticas monetárias e fiscais mais adotadas para superar a crise, especialmente nos Estados Unidos, perdem a eficácia no médio prazo.

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