Europa anuncia alternativa para petróleo em caso de guerra

A Rússia e a Arábia Saudita seriam os dois mercados produtores de petróleo onde a União Européia (UE) poderia buscar alternativa à oferta iraquiana, caso uma ação militar dos Estados Unidos contra o Iraque interrompa o abastecimento à Europa. A proposta foi anunciada hoje pela vice-presidente da Comissão Européia e comissária de Transporte e Energia, Loyola De Palacio.Somente a Rússia e a Arábia Saudita, que não estariam produzindo à plena capacidade, de acordo com De Palacio, teriam condições de suplantar a possível falta no mercado internacional dos 2 milhões de barris produzidos por dia pelo Iraque. Entretanto, a comissária deixou claro que a UE ainda não fez consulta oficial a estes dois países, nem tomou uma posição oficial sobre uma ação militar, apesar de ter ratificado o apoio aos Estados Unidos na luta contra o terrorismo. "Quando fazemos uma avaliação em todos os níveis devemos levar tudo em conta, inclusive vidas humanas", disse.A Comissão deverá adotar "nas próximas horas" novas regras para a utilização das reservas comunitárias de petróleo e gás. De Palacio informou que o objetivo é que as reservas sejam usadas "de maneira solidária" a partir do momento que "se perceba uma situação generalizada de risco de ruptura no abastecimento".A proposta da Comissão prevê um aumento imediato das reservas nacionais de petróleo, o que deve acontecer nos próximos três ou quatro meses de forma progressiva até 2007. Propõe ainda que cada Estado membro responda pelo menos por 30% das reservas, assegurando assim "uma coordenação eficaz em caso de crise". Esses novos mecanismos, que estão em fase final de elaboração, devem substituir as regras atuais de abastecimento, incrementadas nos anos 70, e provocam, segundo De Palacio, a volatilidade dos preços.Atualmente, 70% do consumo de petróleo da Europa e 40% do consumo de gás são importados, basicamente do Oriente Médio e da Rússia. As previsões reforçam que até 2020, a dependência enérgica será ainda maior, segundo o Executivo Europeu, aumentando as cifras para cerca de 80%.

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