Europa aprova 49,1 bilhões para a Grécia

Seguindo determinação do BCE e FMI, governo grego deverá receber 34,3 bi ainda este mês

BRUXELAS, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2012 | 02h06

O presidente do grupo de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), Jean-Claude Juncker, anunciou ontem a aprovação final para o desembolso de uma tranche de 49,1 bilhões à Grécia, como parte do segundo pacote de resgate de Atenas.

Juncker disse que os credores da Grécia estão dispostos a tomar mais medidas para ajudar o país, que caminha para seu sexto ano consecutivo de recessão. O Fundo Monetário Internacional (FMI) continuará participando do auxílio à Grécia, ao lado da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, afirmou ele.

Segundo Juncker, o programa de ajuda grego voltou aos trilhos e a "Grécia e outros países-membros da zona do euro estão dispostos a adotar medidas adicionais, se necessário, para garantir esse objetivo".

O Eurogrupo e representantes do Banco Central Europeu e FMI aprovaram o desembolso de 34,3 bilhões ainda este mês. Os recursos, que a Grécia vinha esperando desde junho, serão usados para recapitalizar o fragilizado setor bancário do país.

O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da Comissão Europeia, Olli Rehn, disse que uma das medidas extras pode ser a redução da contribuição financeira da Grécia para poder sacar recursos da UE. Rehn calcula que apenas essa medida pode significar uma economia para Atenas de 5 bilhões, o que ajudará o país a reduzir sua dívida total a 124% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

Juncker, que também é primeiro-ministro de Luxemburgo, disse que a Grécia terá de cumprir uma série de condições rígidas, como reformar seu sistema tributário e implementar reformas atrasadas, para garantir o recebimento dos 14,8 bilhões restantes no primeiro trimestre do ano que vem.

Juncker afirmou também que a situação do Chipre, que ele descreveu como "séria", foi abordada na reunião de ontem e que a pequena ilha deverá receber um pacote de ajuda. Há cinco meses, Nicósia vem negociando com a zona do euro e o FMI para obter ajuda para seus bancos e finanças públicas, mas não há expectativa de que um entendimento seja alcançado antes da segunda quinzena de janeiro.

Parcelas. A ajuda financeira à Grécia no valor de 49,1 bilhões será dividida em parcelas, com a primeira sendo de quase 40 bilhões, disse o ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble. Segundo ele, as parcelas seguintes serão menores. Ele frisou que as últimas parcelas serão condicionadas à implementação de reformas pelo governo grego, principalmente a melhora da coleta de impostos.

Schaeuble afirmou também que a Grécia não precisará de um resgate maior por ter ultrapassado os custos de seu programa de recompra de bônus. Ele informou que os credores gregos vão reduzir o financiamento para a recapitalização dos bancos do país e adiantarão outros pagamentos para manter o resgate financeiro em seu nível atual. "Os ativos dos bancos gregos foram significativamente reduzidos por suas participações na recompra, então a necessidade de recapitalização ficou menor."

Desemprego. A taxa de desemprego da Grécia subiu para um novo recorde de 24,8% no terceiro trimestre, de 23,6% no segundo trimestre e 17,7% em igual trimestre do ano passado, segundo dados do instituto nacional de estatísticas. Na faixa de idade entre 15 e 24 anos, a taxa de desemprego grega chegou a 56,6% no terceiro trimestre, ante 45% no mesmo período de 2011. / DOW JONES NEWSWIRES.

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