Europa conclui lista de sanções contra EUA

A Comissão Européia enviou hoje aos países membros uma lista com 1.800 produtos norte-americanos, que poderão sofrer sanções à importação caso os EUA não modifiquem a lei que dá vantagens fiscais a seus exportadores, condenada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).A movimentação acontece às vésperas da viagem do comissário europeu de comércio, Pascal Lamy, aos Estados Unidos, quando ele estará, na próxima segunda-feira, com o presidente da comissão da Câmara norte-americana responsável pela modificação do projeto de reforma das ajudas fiscais, Willian Thomas.O conteúdo da lista, que ainda deve ser ratificado pelos países membros, acabou não sendo divulgado como havia declarado Arancha Gonzalez, porta-voz de Lamy. Fontes européias afirmaram que existe um acordo entre os países membros para que o conteúdo da lista não fosse de conhecimento público, evitando assim expectativas nos diversos setores internos, como aconteceu com a lista preliminar de setembro.Bruxelas já havia submetido uma lista de 2.800 produtos aos países membros, que iam das motos Harley-Davidson até o suco de laranja Tropicana, mas representava um valor total três vezes superior ao autorizado pela OMC, de US$ 4 bilhões, montante sem precedente dentro dos conflitos internacionais. Era exatamente um "exercício para que os países membros tivessem margem de manobra para fazer seus comentários", explicou Gonzalez, limitando-se apenas a dizer que foram cortados produtos dos setores têxteis, máquinas e equipamentos, agrícolas e couro manufaturado.O envio da lista aos países membros não significa que as sanções sejam aplicadas, esclarece Gonzalez. Mais uma vez, assim como fez em setembro, ao que parece, Bruxelas usa o artifício da lista retaliatória como objeto de pressão. O objetivo é esperar que a iniciativa pressione o processo da modificação do sistema "Foreign Sales Corporation (FSC)", conhecido como o regime de ajudas fiscais aos exportadores, em trâmite no Congresso norte-americano."O objetivo da UE é o de obter a revogação deste regulamento que não está conforme às regras da OMC", indicou Lamy em um comunicado hoje, acrescentando que a "proposta feita pelo presidente norte-americano, George W. Bush, de pedir a anulação" desta lei "durante a apresentação do orçamento de 2004, foi um sinal encorajador".

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