finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Europa corta previsão de crescimento e se prepara para uma década perdida

Um Brasil inteiro já desapareceu da economia da Europa. O continente revê pela metade seu crescimento em 2011 e admite que poderá levar uma década para compensar os prejuízos de apenas três anos. Segundo dados do gabinete da presidência da Comissão Europeia, o bloco acumula perdas de 2 trilhões desde 2008, enquanto o governo francês já admite: a Europa parou.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2011 | 03h05

Nesta semana, a União Europeia fechou um pacote para blindar o continente. Mas políticos, sindicatos e economistas já alertam que, em troca de resgatar governos e bancos, o plano prevê medidas de cortes de gastos que impedirão o crescimento da economia e a geração de empregos. Para analistas e governos, a Europa se prepara para uma década perdida.

O desemprego somente voltará às taxas de 2007 no fim da década. Economias como a da Grécia apenas serão solventes em 2020, mesmo prazo dado para que o continente recupere os prejuízos da recessão e estagnação. "A Europa está entrando em uma nova fase de incertezas que pode durar uma década", alertou Jean Pierre Roth, ex-presidente do Banco Central suíço.

O próprio Fundo Monetário Internacional já alertou os governos europeus de que não poderiam manter sua estratégia sem a adoção clara de políticas para promover o crescimento.

Mas o que mais preocupa por enquanto é que a recuperação acabou. A previsão de crescimento feita em julho pela UE para este ano era de 1,9%. Mas, segundo a Autoridade Francesa dos Mercados Financeiros, as medidas de austeridade cobram seu preço. "Existe agora uma perspectiva clara de que o crescimento europeu ficará abaixo de 1%", disse o presidente da entidade, Jean-Pierre Jouyet. "Tudo indica que o quarto trimestre será o pior na Europa", admitiu há poucos dias o ministro do Trabalho da Espanha, Valeriano Gómez.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi o primeiro a admitir a revisão da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país de 1,75% para 1%. Na sexta-feira, o governo belga anunciou a estagnação da economia local. Na Alemanha, o governo já admitiu rever para baixo sua expansão.

Já o banco HSBC diz que "tanto a economia britânica como a da zona do euro terminarão o ano estagnadas". Para a HIS Global Insight, a economia britânica terá uma expansão de apenas 0,9% em 2011, e não de 1,7% como previa a Eurostat.

Em 2008, o bloco ficou estagnado. No ano seguinte, perdeu mais de 4,3% de seu PIB. Em 2010, não conseguiu recuperar nem metade disso, crescendo apenas 1,8%. Neste ano, praticamente uma estagnação. Os cálculos mostram que a perda da UE em sua pior crise depois da 2ª Guerra Mundial seria o equivalente ao tamanho da economia da França, a segunda maior do bloco. Ou quase uma vez e meia o PIB brasileiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.