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Europa critica juros elevados do Brasil

A Europa denunciou ontem que as altas taxas de juros cobradas no Brasil são o "principal motivo" para a entrada de capital no País e a explicação para a pressão sobre o real. Em um discurso dedicado à América Latina, o comissário de Comércio da Europa, Karel De Gucht, explicitou a frustração que domina a relação entre os dois lados do Atlântico e diz que o protecionismo de países - como Brasil e Argentina - será respondido com os instrumentos que a Europa tiver ao seu dispor.

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2012 | 03h11

De Gucht deixou claro a existência de relações históricas entre os dois continentes. Mas escancarou que o relacionamento atual passa por uma crise. "Esse é um tempo de otimismo, mas também de preocupação sobre o futuro da América Latina", disse o europeu, atacando a nacionalização pela Argentina da YPF.

Os europeus não escondem que a região é hoje uma das principais promessas de lucros para as combalidas empresas locais, que sofrem para ver suas vendas aumentarem nos países ricos. Em 2011, o comércio entre as duas regiões chegou a 212 bilhões de euros, 15% acima do volume de 2008.

Para a Europa, o protecionismo do Brasil e da Argentina está levando a região a um isolamento da cadeia produtiva de alto valor agregado. Segundo ele, a região latino-americana cresceu nos últimos anos, mas grande parte dessa expansão está relacionada com a alta dos preços das commodities. Para ele, os países precisarão buscar formas de diversificar suas economias se quiserem continuar a se desenvolver.

O europeu também mandou um duro recado ao Brasil. O governo brasileiro defendeu na OMC a criação de salvaguardas que poderiam ser aplicadas contra importações cada vez que a valorização cambial resultar em um fluxo de bens do exterior.

Para Bruxelas, a culpa pela valorização do real, de 29% desde 2007, é apenas do Brasil. Na avaliação de De Gucht, o que ocorre com o real não está ligado ao "tsunami financeiro" que Dilma acusa a Europa de promover com a injeção de dinheiro no mercado financeiro.

Para De Gucht, o fator que está criando uma pressão sobre o real é a diferença de taxas de juros cobradas no Brasil e na Europa, o que acaba atraindo capital.

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