Europa dá ultimato para Grécia receber ajuda

Os ministros de Finanças da zona do euro deram à Grécia duas semanas a partir desta segunda-feira para que o país aprove medidas de austeridade mais rígidas em troca de 12 bilhões de euros em empréstimos emergenciais, aumentando a pressão para que Atenas coloque suas finanças em ordem.

ANNIKA BREIDTHARDT E MIKE WINFREY, REUTERS

20 de junho de 2011 | 13h02

Após dois dias de encontros para discutir a crise, os ministros efetivamente deram um ultimato à Grécia, dizendo que o governo, o Parlamento e a sociedade têm até 3 de julho para aprovar um novo pacote de corte de gastos, aumento de impostos e medidas de privatização para que a nação possa receber a próxima parcela de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

"A aprovação pelo Parlamento grego é absolutamente essencial e terá de ocorrer no momento apropriado para que possamos tomar uma decisão em 3 de julho", disse Jean-Claude Juncker, presidente do Eurogroup, que reúne os ministros de Finanças das 17 nações da zona do euro.

"É claro que a dívida (grega) é sustentável, mas continuará sustentável somente se a Grécia cumprir todos os compromissos que acertou junto à 'troika'", afirmou Juncker a jornalistas, referindo-se à UE, ao FMI e ao Banco Central Europeu (BCE).

O novo ministro de Finanças da Grécia, Evangelos Venizelos, emitiu um comunicado pouco antes dos comentários de Juncker, dizendo que se esforçará para garantir que o pacote de austeridade já modificado seja aprovado.

A Grécia corre risco de entrar em default caso a próxima parcela da ajuda --a quinta do pacote de 110 bilhões de euros (155 bilhões de dólares) acertado em maio de 2010-- não seja liberada a tempo.

"O objetivo é desenvolver uma clara relação de confiança para estabilizar a situação, para termos a liberação da quinta parcela", disse Venizelos. "O tempo político tem sido bastante reduzido. Cada dia que passa é de extrema importância e, por conta disso, não podemos perder uma única hora."

Em Atenas, multidões de manifestantes se reuniram na praça central em frente ao Parlamento para protestar contra as medidas de austeridade, mas não houve novos confrontos com a polícia. Trabalhadores do setor elétrico entraram em greve e espera-se que haja blecautes em algumas regiões do país.

Os parlamentares grego debateram os planos de austeridade, que são bastante impopulares. As propostas visam o corte de mais 6,5 bilhões de euros para reforçar a consolidação orçamentária neste ano por meio de aumento de impostos e redução de despesas.

No domingo, o primeiro-ministro do país, George Papandreou, pediu à nação que aceitasse as medidas, que no curto prazo certamente vão tornar a vida mais difícil para a maioria dos cidadãos.

"As consequências de uma violenta falência ou saída da zona do euro seriam imediatamente catastróficas para as famílias, os bancos e a credibilidade do país", afirmou Papandreou.

Embora alguns especialistas esperem que os protestos na Grécia acabem e o pacote de medidas seja eventualmente aprovado, a edição desta segunda-feira de um jornal grego disse que a UE tem tratado mal a Grécia.

(Reportagem adicional de John O'Donnell, Daniel Flynn, Annika Breidthardt e Julien Toyer em Luxemburgo, e Renee Maltezou e George Georgiopoulos em Atenas)

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