Europa libera mais € 8 bilhões à Grécia

Reunidos em Bruxelas, ministros de Finanças debateram reforma do Feef, mas não chegaram a definir o aumento do fundo para 1 trilhão

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h00

Os ministros de Economia da zona do euro se preparavam para responder no fim da noite de ontem, em Bruxelas, apenas à menor das expectativas dos mercados financeiros. Entre as medidas a serem anunciadas, deve constar a liberação de uma parcela de € 8 bilhões do primeiro pacote de socorro à Grécia - de um total de € 110 bilhões -, o que permitirá ao país evitar a bancarrota em dezembro.

Mas os ministros devem avançar pouco na reforma do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef), elevando os recursos para € 500 bilhões, longe do € 1 trilhão esperado pelos investidores. As decisões foram debatidas na noite de ontem, quando os ministros dos 17 países do Eurogrupo - o fórum de ministros de Finanças da zona do euro - se reuniram em Bruxelas.

A deliberação mais imediata foi a liberação da nova parcela do primeiro empréstimo a Atenas, depois que o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, obteve as cartas de compromisso dos maiores partidos do país com a política de austeridade fiscal. A parcela de € 8 bilhões permitirá ao país saldar as dívidas com vencimento até 15 de dezembro.

No entanto, a decisão mais importante caminhava para um acordo parcial. Desde 27 de outubro, investidores e analistas econômicos esperavam o aumento dos recursos do Feef, que hoje tem € 440 bilhões, dos quais € 250 bilhões para empréstimos a países em crise. O volume é insuficiente caso seja necessário socorrer economias como Itália e da Espanha. A expectativa era de que as maiores potências europeias, lideradas por Alemanha e França, concordassem em elevar os recursos do fundo a € 1 trilhão, mas até o fim da noite os ministros dos países da zona do euro não divulgaram qual seria o aumento efetivo do fundo

Ontem os ministros aceitaram que o Feef garanta parcialmente as dívidas de países do bloco monetário e crie fundos de investimento que receberiam tanto capital do fundo quanto de investidores privados para a compra de bônus soberanos.

As medidas, divulgadas pelo Feef em um comunicado, vão ampliar o poder de fogo do fundo e auxiliar no combate à crise de confiança nas dívidas soberanas da zona do euro. Na primeira opção, o Feef ofereceria um certificado de proteção parcial aos títulos emitidos por países do bloco. Esse certificado poderia ser negociado separadamente após o lançamento dos bônus soberanos e garantiria de 20% a 30% do principal da dívida. A segunda opção, que prevê a criação de um ou mais fundos de investimento, "permitiria a combinação de financiamento público e privado", segundo o Feef.

Antes da reunião, Klaus Regling, diretor-geral do Feef, reconheceu que obter um acordo para elevar o valor do fundo seria difícil. Até o meio da noite, o valor evocado em Bruxelas era de, no máximo, € 500 bilhões.

Uma das propostas em negociação envolvia o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo essa alternativa, o BCE poderia passar a imprimir moeda e emprestar ao FMI, que então faria empréstimos bilaterais aos países europeus em crise.

Itália. Apesar das negociações difíceis, a expectativa dos mercados com a reunião do Eurogrupo era grande. O otimismo, entretanto, não condizia com a realidade nos mercados de dívidas soberanas. Ontem o governo da Itália voltou a pagar altos juros - 7,28% - para refinanciar suas dívidas com validade de dez anos. Para papéis com duração de três anos, o rendimento foi ainda maior: 7,89%. No total, Roma captou € 5 bilhões no mercado.

A preocupação com a saúde das finanças italianas aumenta porque até fevereiro o governo de Mario Monti terá de refinanciar de € 150 bilhões a € 200 bilhões. Se os juros continuarem elevados, o peso da dívida aumentará, agravando a crise.

Ontem fontes do FMI e da UE disseram que as conversações para um pacote de € 400 bilhões para a Itália poderão começar em dezembro. Segundo essas fontes, o Feef entraria com € 300 bilhões e o FMI com € 100 bilhões. "Há uma convicção crescente de que a Itália poderá precisar de ajuda logo. Ainda não há conversações oficiais, mas elas poderão começar durante ou depois da cúpula europeia de 8 e 9 de dezembro. A questão da Itália foi levantada na reunião do Eurogrupo hoje (ontem) e será discutida novamente amanhã (hoje)", disse um funcionário europeu. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.