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Europa pode atrasar recuperação global

A crise financeira nos Estados Unidos pode ter levado o mundo para uma recessão global, mas o maior entrave a uma recuperação em grande escala pode agora estar do outro lado do Atlântico: na Europa.Na sexta-feira, a Grã-Bretanha reportou o mais forte declínio trimestral da sua economia nos últimos 30 anos. A produção de veículos caiu 55% ante o ano anterior. Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor´s, numa medida extraordinária, anunciou estar revisando para negativa a perspectiva de crédito da Grã-Bretanha, o que aumenta o espectro de um rebaixamento da classificação máxima AAA dos títulos do governo. E alguns países europeus, incluindo Alemanha e Itália, estão enfrentando a pior desaceleração econômica da sua história.Nove meses após o pior desaquecimento econômico que se tem conhecimento desde a Grande Depressão, a queda livre que se verificou nos Estados Unidos parece que está dando lugar a um declínio mais moderado. Mas os economistas não estão conseguindo ver um pulso firme nos países europeus e em outros industrializados, como o Japão, que também colabora para atrasar uma recuperação global. A recessão nesses países deverá ser mais profunda e longa que nos Estados Unidos, onde o ritmo de demissões diminuiu e há alguns sinais de vida nos mercados financeiros.Existem alguns sinais de estabilização no Velho Mundo. Na Alemanha, a confiança do investidor está em alta, em meio a notícias de que as encomendas à indústria começam a voltar à normalidade, depois de meses de quedas acentuadas. Mas, para muitos economistas, a Europa vai sair da recessão depois dos Estados Unidos, num prazo de pelo menos três a seis meses.Segundo os críticos, isso, em parte, se deve ao fato de a Europa estar demorando muito para lançar programas de estímulo governamentais e endireitar seu sistema financeiro. Alguns países, como a Irlanda, estão com tanto problema de caixa que elevaram os impostos em meio a uma profunda recessão, piorando ainda mais a situação. Além disso, só recentemente é que os líderes europeus se dispuseram a fazer testes de estresse amplos e sistemáticos nos bancos, similares aos realizados nos Estados Unidos.E tudo indica que os bancos europeus precisam ser submetidos a esses testes, e rápido. Enquanto os bancos dos EUA já deram baixas contábeis de metade do valor estimado de US$ 1,1 trilhão em empréstimos problemáticos e ativos tóxicos, as instituições europeias só deram baixa em menos de 25% do US$ 1,4 trilhão de ativos podres, segundo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI). Muitos bancos da Europa Ocidental também investiram pesado na Europa do Leste, onde o risco de nova onda de insolvências, tanto de consumidores como de empresas, é considerável."A recuperação aqui depende da recuperação fora", disse o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, ao Comitê de Apropriações da Câmara. "Nossos esforços para se conseguir uma reforma financeira nos Estados Unidos precisam ser acompanhados de esforços similares em todas os lugares para terem êxito". E, diante da posição crítica do Congresso em relação à Europa, Geithner defendeu as ações adotadas pelos seus governos até agora, dizendo que foram "melhores do que os senhores pensam".Contudo, as dificuldades da Europa são uma má notícia para a recuperação global. A União Europeia, que congrega 27 países, representa quase um quarto da atividade econômica global e uma saída demorada da crise vai retardar também a recuperação do comercio mundial e dos investimentos estrangeiros.Um quinto de todas as exportações dos EUA, incluindo artigos de grande valor, como reatores nucleares e aviões, vão para a UE, com empresas americanas, como McDonald´s e Google, contabilizando parte cada vez maior de suas receitas na região. Os países em desenvolvimento da Europa do Leste e da África também dependem dos investimentos europeus, que evaporaram nos últimos meses. Apesar de investidores privados já terem começado a injetar dinheiro em mercados emergentes, muitos países ainda estão prevendo mais saídas de investimento estrangeiro em 2009, pela primeira vez em anos.Alguns, como China e Índia, continuam a crescer, mas em ritmo mais lento, e os especialistas duvidam que será suficiente para compensar a desaceleração econômica na Europa."O resultado é que a Europa não será um motor numa recuperação global, mas, na verdade, o oposto disso", disse Eswar Prasad, membro da Brookings Institution e professor de polícia comercial da Cornell University. "A Europa vai entravar a economia mundial nos próximos dois anos".*Anthony Faiola é repórter

Anthony Faiola, The Washington Post*, O Estadao de S.Paulo

26 de maio de 2009 | 00h00

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