Europa precisa considerar garantias à dívida grega

A Europa precisa considerar a possibilidade de garantir toda a dívida da Grécia, porque a única opção viável para Atenas é um calote, que seria mais oneroso e poderia deflagrar uma crise financeira ainda maior, disse o ex-presidente do banco central alemão Axel Weber, em entrevista ao The Wall Street Journal.

AE, Agencia Estado

26 de junho de 2011 | 20h14

Em sua primeira entrevista desde que deixou o Bundesbank e o conselho executivo do Banco Central Europeu, no final de abril, Weber disse que a resposta europeia à crise até agora se concentrou apenas nas necessidades imediatas de recursos da Grécia, sem oferecer uma solução de longo prazo à crescente dívida do país. Essa incerteza tem alimentado temores de que Atenas seja obrigada a dar um calote em suas dívidas e gerado instabilidade nos mercados.

Infelizmente, disse Weber, as opções são muito limitadas: "ou um calote, ou ''haircuts'' parciais, ou uma garantia para o montante não-pago da dívida grega. Governos têm de decidir que opção eles querem adotar, mas a atual abordagem de sucessivos programas de ajuda inevitavelmente levará à última solução."

Essas garantias podem ajudar a persuadir os credores da Grécia a trocar a dívida atual por títulos de maior prazo, o que daria a Atenas mais tempo para pagar esses empréstimos.

Os bancos europeus, que detêm boa parte da dívida grega, estão relutantes em aceitar uma rolagem desses bônus, a menos que tenham garantias de que a dívida será paga. A Alemanha e outros países europeus se negaram até agora a oferecer garantias, argumentando que seria melhor para os bancos participar da rolagem voluntariamente.

Líderes europeus, no entanto, também querem evitar um pânico maior nos mercados, e têm firmemente rejeitado a redução do montante da dívida, o chamado haircut, ou a ideia de um calote completo. As informações são da Dow Jones.

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