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Europa prepara plano de 200 bilhões, diz jornal

Medidas para retomar o crescimento econômico na zona do euro podem ser lançadas em junho pela Comissão Europeia, segundo o espanhol El País

ANDREI NETTO , JAMIL CHADE, CORRESPONDENTES, PARIS, GENEBRA, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2012 | 03h08

Em resposta à virada radical dos discursos políticos na França e em vários países, a Comissão Europeia estaria planejando anunciar em junho um plano de investimentos da ordem de 200 bilhões para relançar o crescimento nos países da zona do euro.

A iniciativa seria lançada em junho, durante a cúpula de chefes de Estado e de governo em Bruxelas, já com a presença do presidente eleito da França - Nicolas Sarkozy ou François Hollande. Para não comprometer a austeridade fiscal, os recursos poderiam vir da emissão de bônus europeus.

A revelação do "Plano Marshall" que estaria em estudos foi feita ontem pelo jornal espanhol El País. Desde o início da semana, instituições como a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Eurogrupo, o fórum de ministros de Finanças da zona do euro, vêm defendendo a adoção de medidas em favor do crescimento no bloco.

Mario Draghi, presidente do BCE, por exemplo, propôs a criação de um "Pacto de Estabilidade".

No sábado, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, a grande defensora do rigor fiscal, falou em uma "agenda de crescimento" em entrevista ao jornal Leipziger Volkszeitung, quando evocou a possibilidade de reforçar os recursos e as atribuições do Banco Europeu de Investimentos (BEI).

"Nós preparamos uma agenda de crescimento para a cúpula europeia de junho", revelou a chanceler alemã. Entre as propostas em estudo em Bruxelas estariam a reforma e o aumento de capital do BEI, a emissão de títulos da dívida europeia, os eurobônus, e até o uso de recursos do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira, órgão recém-criado e destinado a combater a crise das dívidas soberanas.

Os detalhes das medidas e o valor final do pacote, entretanto, ainda estariam sendo debatidos.

Competitividade. Não se trata apenas de construir pontes ou estradas. O objetivo é reconquistar a competitividade de alguns setores, levando em conta que a meta é subir na escala de valor agregado, já que concorrer contra chineses e demais asiáticos se transformou em um pesadelo para os países europeus.

Pelos cálculos da União Europeia (UE), o setor privado no mundo está hoje sentado sobre mais de US$ 6 trilhões, um valor recorde. Esse dinheiro não está sendo investido por causa de temores de que não haja demanda suficiente ou simplesmente pela falta de projetos de cooperação com governos.

Com o pacto, a UE espera destravar parcerias importantes para que parte desse dinheiro seja injetado na produção e investimentos. Nos últimos dois anos, as empresas europeias basicamente registraram uma estagnação no volume de recursos investidos.

Outro fator que tem pesado: o aumento do desemprego vem gerando uma queda na arrecadação de impostos, comprometendo as metas do ajuste fiscal. Na Espanha, o Tesouro já admite que perderá 1 bilhão apenas com os 375 mil trabalhadores demitidos no início deste ano. Sem crescimento econômico, não haveria como recuperar o orçamento.

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