Europa quer acordo comercial e econômico com EUA

A Alemanha quer uma aproximação econômica e comercial entre Europa e Estados Unidos e novas obrigações para países emergentes no campo ambiental e na proteção de patentes. A chanceler alemã, Angela Merkel, se reúne com o presidente americano, George W. Bush, a partir desta quinta-feira para apresentar sua agenda como presidente do G-8 (Itália, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Canadá, Estados Unidos e Japão mais Rússia) e da União Européia (UE), função que Berlim assumiu no dia 1º. As idéias de Merkel de criar um acordo de comércio entre Washington e Bruxelas deixaram a diplomacia brasileira e de outros emergentes preocupadas. Os alemães ainda querem uma aliança de americanos e europeus para lutar por melhor proteção de patentes nos países em desenvolvimento e colocar na agenda do G-8 um esforço para convencer as economias emergentes a limitar suas emissões de CO2 na atmosfera. Em entrevista publicada na quarta-feira pelo jornal Financial Times, Merkel dá o tom de como acredita que devem ser as relações entre os dois principais pólos econômicos do mundo, que, nos últimos anos, estiveram em desacordo em vários assuntos. Ela quer apagar os descompassos entre Washington e Berlim. As relações entre os dois países beiraram a crise durante a guerra no Iraque, quando o ex- chanceler Gerhard Schroeder não apenas se opôs ao conflito, mas criticou abertamente Washington pela invasão. No campo comercial, porém, Washington e Europa ainda não superaram suas diferenças. Os europeus acusam os americanos de não estarem cortando subsídios aos agricultores de forma suficiente para permitir um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC). E a Casa Branca afirma que os europeus precisam reduzir tarifas de importação. Merkel já havia dado indicações de que queria acordo de livre comércio entre EUA e UE. O anúncio feito no fim do ano passado assustou os países emergentes, principalmente o Brasil, que teme que um acordo torne mais difícil para outras economias as vantagens de um acesso aos mercados ricos. Um membro do partido de Merkel, Matthias Wissmann, disse que o novo mercado único deveria estar concluído em 2015. No fim dos anos 90, uma proposta parecida foi discutida, mas os franceses bloquearam seu avanço. Merkel, apesar de tentar apaziguar os temores, deixa claro que vai manter seus projetos de aproximação com os EUA. "Ninguém pode impedir que combinemos nossos esforços. Claro que, se funcionar, isso (um acordo) nos transformará em competidores mais fortes. Mas isso não quer dizer que restringiremos o comércio. Queremos manter as conversações da Rodada Doha na OMC. Todos nós teremos de fazer concessões." EmergentesA chanceler nega que seja "hostil" aos demais países ao propor um acordo com os americanos. Segundo ela, não teria sentido "ir contra a Ásia", região que mais cresce no mundo. O Estado obteve informações exclusivas de que Alemanha enviará nas próximas semanas autoridades para debater com Brasil, China, África do Sul, México e Índia suas prioridades no G-8. O Brasil, com esses países, foi convidado para o encontro de ministros das finanças do G-8, em fevereiro. A embaixada do Brasil em Berlim também recebeu sinalização do governo alemão de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser convidado para a cúpula do G-8, em meados do ano. Os alemães, porém, não prevêem a ampliação do G-8 e a incorporação desses emergentes como membros do bloco.

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