Europa quer fundo de resgate de mais de 2 tri

Governos planejam usar alavancagem para fornecer uma rede de segurança à Itália e à Espanha, mas discussões ainda estão em andamento

LONDRES, O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2012 | 03h11

Os governos da zona do euro estão planejando aumentar o poder de fogo do fundo de resgate permanente do bloco, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês), para mais de 2 trilhões (US$ 2,6 trilhões), usando alavancagem, para fornecer uma potencial rede de segurança à Itália e à Espanha, afirma a revista alemã 'Der Spiegel'.

De acordo com os planos, os governos efetivamente vão ampliar os 500 bilhões do ESM por meio do uso do fundo para comprar apenas os bônus mais arriscados emitidos pela Espanha, por exemplo, segundo a revista. Investidores privados poderão, então, entrar com o restante do dinheiro porque teriam de assumir apenas uma quantidade limitada de risco.

Os planos se baseiam nas regras do fundo de resgate temporário da zona do euro, a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês), que dá oportunidades similares para alavancagem, diz a revista.

No entanto, embora os planos sejam vistos de forma favorável pelo ministro de Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, um acordo rápido no Eurogrupo - o grupo de ministros de Finanças da zona do euro - foi bloqueado pela Finlândia. O governo finlandês está preocupado com o fato de os planos representarem uma grande transgressão do tratado do ESM e, por isso, precisarem ser aprovados pelo Parlamento do país, segundo a Spiegel.

Ampliação. Olivier Bailly, porta-voz da Comissão Europeia, afirmou que ainda estão em andamento as discussões sobre se haverá ou não uma ampliação do fundo de resgate permanente da zona do euro por meio do uso de dois veículos de alavancagem criados pelos governos do bloco no ano passado.

Os dois veículos, que têm como objetivo atrair investidores oferecendo a cobertura de uma parte das perdas no caso de uma reestruturação de dívida, foram acrescidos ao ESM no fim do ano passado para aumentar o poder de fogo do fundo. No entanto, na semana passada o Wall Street Journal afirmou que objeções da Finlândia bloquearam o acordo para transferir os dois veículos para o ESM a tempo de seu lançamento, em 8 de outubro.

"Estamos em uma fase de transição da EFSF para o ESM", afirmou Bailly. "Os países-membros e nós mesmos estamos discutindo a possibilidade de usar os dois instrumentos financeiros que atualmente são atrelados à EFSF e ligá-los ao ESM. Essas discussões estão em andamento."

Segundo Bailly, os países da zona do euro e a Comissão "estão checando ponto por ponto" o que pode ser transferido para o ESM, que até agora tem capacidade de empréstimos de 500 bilhões. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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