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Europa reage a pacote de Sarkozy

Governos questionam ajuda de 6,5 bi a montadoras que atuam no país

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

10 de fevereiro de 2009 | 00h00

O governo francês anunciou um novo pacote bilionário de socorro à indústria automobilística - setor que representa 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega 10% da população economicamente ativa do país. Mas o "pacto automotivo" chegou repleto de mensagens protecionistas, abriu uma disputa diplomática dentro da própria Europa e forçou uma convocação de emergência de uma cúpula do bloco de 27 países. A crise começou quando o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que queria que as montadoras usassem os recursos em território francês, e não em suas fábricas no Leste Europeu. "Se damos dinheiro a um setor, não é para que construa uma nova fábrica na República Checa ou em outro lugar", afirmou Sarkozy na semana passada. "É normal que, se damos dinheiro público, haja uma contrapartida."A declaração provocou protestos na República Checa. Para Praga, que ocupa a presidência da União Europeia, a medida de Sarkozy é "claramente protecionista". Ontem, o primeiro-ministro checo, Mirek Topolanek, convocou uma cúpula da UE para o fim do mês com o objetivo de permitir maior coordenação entre os governos da Europa ao lançar pacotes de ajuda. Ele alertou ainda que o comportamento de Sarkozy põe em risco a ratificação do Tratado de Lisboa. "É inacreditável. Os últimos impulsos protecionistas, como o de Sarkozy, me levaram a chamar uma reunião extraordinária", disse Topolanek.O presidente francês já tinha causado mal-estar ao também criticar a forma pela qual o Reino Unido estava lidando com a crise.Na Organização Mundial do Comércio (OMC), que debatia a situação do protecionismo no comércio ontem, diplomatas concordam que o discurso de Sarkozy manda um "sinal ruim". "Na semana passada, a Europa criticava o presidente Barack Obama por seu pacote dar privilégios às empresas nacionais. Agora, são os europeus quem fazem o mesmo", afirmou um embaixador latino-americano, que pediu anonimato.O jornal Financial Times já havia publicado na semana passada informações de uma reunião confidencial em que Sarkozy teria tentado convencer Peugeot e Renault a se comprometerem a usar o dinheiro dado pelo governo para comprar exclusivamente autopeças e serviços locais. Pelo acordo de ontem, a PSA Peugeot Citroën e a Renault S.A. receberiam um total de 6,5 bilhões. Ambas as indústrias estão em dificuldades. As vendas de carros na França caíram em 7,9% em janeiro, depois de uma queda de 14% em novembro e de 15% em dezembro. Para a Renault, o cenário é ainda pior, com queda de 20,9%.Em contrapartida, as empresas se comprometem a evitar demissões, uma das preocupações do governo francês diante dos mais de 45 mil postos de trabalho perdidos por mês. Os presidentes das montadoras aceitaram também reduzir seus bônus no fim do ano, em troca do pacote."O pacto serve para permitir que os construtores se preparem serenamente para o futuro", afirmou ontem Sarkozy. Em dezembro, o governo já havia anunciado medidas para socorrer o setor automotivo. O pacote incluía um incentivo de 1.000 para cada novo comprador e um empréstimo de 1 bilhão para as empresas.

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