GUILLAUME SOUVANT/AFP
GUILLAUME SOUVANT/AFP

Europa retoma crescimento após década perdida

Recuperação de França, Itália e Espanha coloca nos trilhos o maior bloco econômico do mundo; em 2018, crescimento será maior

Andrei Netto, Correspondente, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2018 | 05h00

PARIS - Dez anos após o início da crise internacional, a economia da União Europeia enfim dá sinais de recuperação plena e sustentável, encerrando uma década perdida. Essa é a análise de um número crescente de analistas, impressionados não só com o crescimento médio de 2,7% obtido pelos 28 países da União Europeia em 2017, mas com os sinais de que a atividade se acelera. Entre os fatores internos mais decisivos, estão a recuperação da França, da Itália e da Espanha e a saúde da indústria e do consumo, que aumenta o nível de emprego.

Há dez anos, a Europa começava a viver a pior crise da zona do euro, consequência da turbulência global dos mercados financeiros e do início da depressão na Grécia, em 2008. Durante anos, os acadêmicos mais pessimistas, como o Nobel de Economia Joseph Stiglitz apostaram no fim iminente da moeda única – o americano continua a acreditar que se trata de uma “questão de tempo”. Porém os indícios vão no sentido oposto.

Passada a crise das dívidas na UE, que levou ao precipício Grécia, Portugal e Irlanda, socorridos por Bruxelas e Fundo Monetário Internacional (FMI), e que ameaçou desmoronar os sistemas financeiros da Espanha e da Itália, todos indicadores do bloco passaram para o azul. 

O otimismo – ainda que moderado – é tão presente que mesmo membros do diretório do Banco Central Europeu (BCE), como o francês Benoit Coeuré, não escondem a admiração com o melhor desempenho econômico em quase duas décadas. “Em termos de solidez e equilíbrio, é até mais forte que nos anos 1999-2000”, afirmou.

Trajetória. A boa notícia é que, embora seja beneficiada por fatores externos favoráveis, os países da UE se veem pela primeira vez na década numa trajetória virtuosa. Iniciada ainda em 2014, a retomada se generalizou. Grandes economias consideradas estagnadas, ou próximas da estagnação, como França e Itália, aceleraram. 

Sempre moderada em suas previsões, a Comissão Europeia estima que o crescimento médio em 2017 tenha chegado a 2,2% – índice bem razoável para países do bloco, e bastante superior ao 1,8% de 2016. Até a Grécia, antes quebrada e à beira do abismo, voltou a crescer, com 1,6% no ano passado. “Os resultados da economia europeia em 2017 são claramente melhores do que o previsto em razão da resiliência do consumo privado, do reforço do crescimento mundial e do recuo do desemprego”, afirmou a Comissão Europeia em sua análise conjuntural.

Além disso, os prognósticos para 2018 são ainda mais positivos e põem fim à década perdida da Europa. “O ano de 2018 deverá ser o ano em que o PIB da zona do euro retomará o nível que deveria ter atingido se a crise não tivesse existido”, diz Mathilde Lemoine, economista-chefe do banco Edmond de Rothschild.

A Espanha, quarta economia da zona do euro, deverá desacelerar por fatores internos, como a Catalunha, mas ainda assim crescerá 2,5%. Portugal, Alemanha e o conjunto da zona do euro devem registrar avanço de 2,1%; a França, 1,7%. Já a Itália, que vinha de uma sequência recessiva de três anos, crescerá pelo menos 1,3%.

Com mais crescimento, o nível de empregos vem melhorando em toda a zona do euro, que criou 7 milhões de empregos desde 2013, retornando em 2017, enfim, ao nível pré-crise. 

Ainda ontem, a agência de classificação de risco Fitch elevou o rating de Espanha e Turquia, e a S&P o da Grécia.

 

Mais conteúdo sobre:
Europa [continente]

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.