Europa teme rebaixamento em cadeia

Depois dos Estados Unidos, líderes das potências europeias mobilizam-se para impedir contágio; reunião do G7 não está confirmada

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

O rebaixamento da nota dos títulos da dívida dos Estados Unidos pela agência Standard & Poor"s detonou uma descarga elétrica mundo afora. Horas depois do anúncio, líderes das potências europeias começaram a se mobilizar para evitar o contágio. Além da Espanha e da Itália, França e Reino Unido, segunda e terceira maiores economias do bloco, tentam evitar rebaixamentos em cadeia - o que agravaria a crise no bloco.

O governo Obama tentou desqualificar a revisão e, nos bastidores, pressiona a S&P a recuar - até agora sem sucesso. Segundo a Casa Branca, Obama também vai "encorajar" os partidos a se unirem e buscarem uma solução para a crise.

A China disse que os EUA estão "viciados em dívidas" e pediu garantias para seus ativos no país. A China é a maior credora dos EUA.

No Brasil, enquanto economistas divergem sobre os efeitos da revisão, fontes do governo começam a falar em novas medidas para reforçar para proteger o País da crise internacional.

Na Europa, líderes políticos dos principais países participaram ontem de reuniões telefônicas, interrompendo suas férias. Do sul da França, o presidente Nicolas Sarkozy tinha agenda com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e com o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, para discutir a crise na Europa. Silvio Berlusconi teria contatos com o premiê espanhol e com o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy.

O primeiro ministro britânico, David Cameron, que também trocaria telefonemas com Sarkozy, marcou reuniões com seu ministro do Tesouro, George Osborne, e com autoridades do Bank of England.

Por outro lado, a antecipação da reunião do G-7 de setembro para agosto, anunciada por Berlusconi, não foi confirmada pela França. O Palácio Eliseu hesita em antecipar a reunião, pois planeja o anúncio de medidas fortes para a economia global. Na avaliação dos líderes europeus, o impasse no projeto de aumento do teto da dívida americana e o consequente rebaixamento dos EUA transformaram a crise das dívidas, antes focada na zona euro em um problema global.

O receio é que os seis países AAA da zona euro - Alemanha, Holanda, Áustria, Finlândia, Luxemburgo e França -também sejam rebaixados. Para Ciaran O"Hagan, estrategista do banco Société Générale, a decisão da S&P abre as portas para um mundo sem a nota máxima

Ontem, o ministro da Economia francês, François Baroin, manifestou apoio a Washington, minimizando o rebaixamento. "A França tem total confiança na solidez e nos fundamentos da economia americana, assim como na determinação do governo de implantar o plano aprovado pelo Congresso", disse.

Mas o temor na Europa é que a avaliação de S&P leve ao aumento da dificuldade de refinanciamento dos EUA, o que intensificaria as dificuldades da Espanha e da Itália. / COM AFP E REUTERS

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