Europa tenta acordo para política agrícola

Os quinze ministros da agricultura da União Européia reúnem-se a partir das 15 horas (10h, horário Brasília), em Luxemburgo, pela terceira vez consecutiva em um período de três semanas, para tentar fechar um acordo para a reforma da Política Agrícola Comum. Os quinze partirão do último texto apresentado, que consiste na terceira versão de um compromisso, onde o comissário europeu de agricultura, Franz Fischler, admite o princípio da "desvinculação parcial", e não mais "total", como pretendia, assim como aceita reduções de preços menos importantes do que objetivava.O porta-voz de Fischler afirmou hoje que "agora, a bola está com os países membros", reforçando que o executivo europeu não pretende "marginalizar" nenhum parceiro comunitário, "apesar de que a reforma deva ser aprovada por maioria qualificada", reitera. A referência é dirigida à França. Segundo os bastidores de Bruxelas esta manhã, o governo Chirac seria ainda o mais resistente às propostas flexibilizadas. "Parece que de uma certa forma, os outros adversários à uma reforma mais substancial já se deram por satisfeitos", comenta uma alta fonte comunitária. Mas, ninguém quer arriscar um prognóstico, porque Fischler reiterou várias vezes que "não gostaria de aprovar a reforma sem o apoio francês".Os dois pontos mais controvertidos das negociações são a redistribuição da verba, obtida mediante o corte das ajudas diretas e a aplicação do sistema que romperá o vínculo entre pagamento de subsídios e quantidade produzida. Atualmente, leva-se em consideração para cálculo do valor das ajudas o tamanho da propriedade ou o tamanho da produção. O ponto de embate é de quanto será a desvinculação, assim como a redução dos preços de intervenção sobre cereais e produtos lácteos a partir dos quais a UE financia seus agricultores em caso de queda de preço no mercado. Neste caso, França e Espanha lideram o grupo dos adversários.O texto sobre a mesa visa a permanência vinculada à produção 25% das ajudas para cereais, 50% para ovinos e caprinos. Para bovino ainda estuda-se duas alternativas: manter totalmente a ajuda às vacas leiteiras ou manter 30% do apoio ao vínculo à produção para introduzir um pagamento por cabeça.Um dos princípios da reforma é a modulação corte do montante destinado aos pagamentos diretos para reforçar o caixa do desenvolvimento rural e segundo as últimas propostas, afetaria 5% das ajudas a partir de 2007. A divergência neste caso é a redistribuição dessa verba que será cortada entre os países. A Comissão Européia defendeu no último texto que 80% dessa verba, - que representa os 5% cortados - fiquem no país de onde saiu a contribuição. Essa proposta agrada os contribuintes brutos (Reino Unido, Alemanha, Suécia, Holanda e Dinamarca) e desagrada França, radicalmente, apesar de que a Espanha também ainda não está satisfeita nesta questão.

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