finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Europa terá dificuldade de atrair investidores, diz Roubini

Economista diz que medidasnão são suficientes, pois há uma lacuna importante no plano: estimular crescimento e competitividade

Agência Estado,

27 de outubro de 2011 | 18h45

Os mercados se tornarão mais céticos em relação ao grande plano da zona do euro para resolver sua crise em semanas e o bloco de moeda única vai sofrer para atrair investidores estrangeiros, disse hoje Nouriel Roubini, economista mais conhecido por prever a crise global de crédito de 2008. "Nas próximas semanas haverá questões sobre a viabilidade do que foi decidido e cada vez mais os mercados se tornarão céticos em relação a se essa é a solução para a zona do euro", afirmou Roubini em uma entrevista em Paris.

Os líderes da zona do euro chegaram a um acordo numa série de medidas para resolver a crise da zona do euro na madrugada, inclusive um veículo de propósito específico para atrair investidores privados e públicos. Eles também entraram em acordo sobre um haircut de 50% sobre a dívida grega com o setor privado e um sistema para proteger os investidores contra as primeiras perdas de novos bônus soberanos dos integrantes mais fracos da zona do euro.

Roubini disse que a zona do euro vai ter dificuldades para atrair investidores para um veículo de propósito específico ou para novos bônus soberanos aprimorados. De acordo com a empresa de análise financeira do economista, a Roubini Global Economics, um esquema protegendo investidores contra os primeiros 20% de uma perda eventual apenas reduziria os prêmios de risco de Espanha e Itália sobre bônus alemães em 40 a 50 pontos-base.

"Não é o suficiente e torna esses bônus muito arriscados", avaliou Roubini. Ele também disse que se o corte de 50% da dívida "foi imposto aos credores gregos, então por que alguém escolheria uma exposição na Itália ou Espanha?"

Além disso, a reestruturação grega foi desenhada para evitar que seja acionado o seguro contra default de crédito, sugerindo que o mesmo poderia ser feito se houver um haircut na dívida italiana ou espanhola, analisou o economista. Enquanto Roubini reconheceu que as medidas tomadas pela zona do euro foram necessárias, ele considera não serem suficientes, pois há uma lacuna importante no plano: estimular crescimento e competitividade. "A recessão já está em curso na zona do euro", afirmou. "As pessoas vão dizer que é boa engenharia financeira, mas, a menos que a região cresça economicamente, haverá um grande problema".

Para restaurar o crescimento, o Banco Central Europeu (BCE) precisaria reverter completamente e agressivamente os cortes de juros e o euro deveria cair em direção à paridade com o dólar americano, segundo Roubini. Seriam necessários também estímulos para os principais países da zona do euro. A probabilidade dessas três coisas acontecerem é perto de zero, concluiu o economista. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
EuropaRoubini

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.