Europa vai em busca de 1 trilhão de euros para financiar suas dívidas

Instabilidade na Ucrânia e crise grega levam investidores a apostar em economias mais sólidas, como a alemã e a francesa

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

30 Dezembro 2014 | 12h19

GENEBRA - Governos europeus vão emitir quase 1 trilhão de euros em papeis de suas dívidas em 2015, na esperança de financiarem suas dívidas. O valor é superior a todo o PIB brasileiro. As projeções fazem parte do banco Natixis que indicou, em um estudo publicado nesta semana, que as emissões de títulos do tesouro serão de pelo menos 913 bilhões de euros em 2015, enquanto analistas apontam que os valores podem ser superiores. 


Na França, que luta contra a Comissão Europeia por não conseguir manter suas contas dentro dos compromissos da zona do euro, a previsão é de emissões no valor de 187 bilhões de euros ao mercado em 2015, acima do que foi colocado em 2014. Tanto a França quanto a Alemanha registram as taxas mais baixas de risco de suas histórias, desde o final da Segunda Guerra Mundial. 


Com a instabilidade na Ucrânia, com a crise na Grécia e a persistência do desemprego no Sul da Europa, investidores passaram a apostar no papéis de economias mais sólidas para evitar riscos. 


Na Alemanha, a taxa chegou a ser negativa. Ou seja, o governo alemão chegou a se financiar de forma gratuita. Para 2015, as emissões chegarão a 185,5 bilhões de euros. 


Diversos outros países também vão elevar suas emissões em 2015. A Bélgica irá colocar 39,9 bilhões de euros em títulos no mercado, contra 94,4 bilhões no caso da Holanda. 


Entre os governos que foram resgatados pelo FMI e pela UE, a situação difere entre cada um deles. No caso da Irlanda, o ministério das Finanças estima que as necessidades de financiamento de 2015 já foram atingidas em 2014 e, portanto, o que for emitido apenas vai ser uma forma de antecipar a captação de 2016. Segundo o governo, esse valor não passaria de 8 bilhões de euros. 


Já Portugal admite que precisará do mercado para financiar suas contas. Segundo o orçamento do país, esse volume de recurso deve ser de 12 bilhões de euros. 


No caso da Grécia, o país voltou aos mercados em abril de 2014, depois de quatro anos sem poder fazer emissões. A experiência foi bem recebida, ainda que o valor não tenha passado de 3 bilhões de euros. Mas, em julho, os esforços não tiveram a mesma sorte. 


As emissões programadas de 3 bilhões de euros acabaram coincidindo com a crise no Banco Espírito Santo e os gregos conseguiram captar apenas 1,5 bilhão. Para 2015, diante da renúncia do governo e das incertezas políticas, nenhuma indicação foi dada ainda por parte das autoridades. 


O governo espanhol também mantém seus planos em sigilo para 2015. Mas analistas apontam que o país deverá emitir cerca de 122 bilhões de euros, aproveitando da queda da taxa de risco. 


O mesmo deve ocorrer com a Itália, que viu suas taxas descerem a níveis jamais vistos. No total, os italianos devem emitir 260 bilhões de euros para financiar uma das maiores dívidas públicas do mundo. 

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