Europa volta a planejar mercado único de energia

A pior crise do gás entre Rússia e a Ucrânia desde o inverno 2005-2006 deixou mais uma vez a União Europeia refém das decisões políticas do Kremlin. Mas, na visão de especialistas, também está abalando a imagem de Moscou como fornecedora confiável de energia. Há 10 anos, 75% do gás consumido na Europa provinha da Rússia, número que caiu hoje para 40%. Pressionado pela dependência, o bloco econômico acelera a formação de um mercado único de energia para os 27 países. Considerado tema estratégico para a soberania de cada país-membro, a compra de energia era até a metade da década um tabu na União Europeia: cada país negociava à parte com seus fornecedores e nenhum aceitava a criação do mercado comum para o setor. Essa visão começou a mudar há três anos, quando a Rússia cortou pela primeira vez o combustível de seus ex-vizinhos soviéticos Ucrânia e Geórgia. Desde então, duas políticas foram aceleradas: a diversificação dos fornecedores de gás e a unificação das estratégias nacionais em torno de uma política europeia. "A reação da Rússia pode alterar o comércio de energia com o bloco econômico", prevê Adrian Dellecker, especialista em Energia do Instituto Francês de Relações Internacionais (Ifri), de Paris. "Daqui para a frente haverá uma homogeneização progressiva das políticas energéticas na União Europeia." Ainda no primeiro semestre, uma reunião de cúpula sobre Energia será realizada em Bruxelas, para discutir planos de ação nacionais, baseado em recursos continentais. Mas o ponto central é a construção de interconexões nas tubulações de transporte de gás entre as Europas Central e do Leste - o embrião do mercado único de gás. As conexões permitirão à região reduzir a dependência do combustível russo, livrando-se, ao menos em parte, da Ucrânia, que se mostra um parceiro comercial instável. Além disso, a conexão da rede é crucial para o Acordo de Solidariedade Energética, pelo qual um país-membro que corra risco de desabastecimento poderá solicitar a transferência de combustível aos demais. "Está claro que o Sistema de Solidariedade agora será posto em prática", diz Dellecker.

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