Europeu está mais pobre, diz Múlti

Empresa muda embalagens para reduzir preços

O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h04

Multinacionais já se prepararam para enfrentar a redução de salários dos trabalhadores europeus causada pela crise das dívidas dos países do bloco e se adaptam à nova realidade. Ontem, a gigante Unilever revelou que está buscando modificar seus produtos para que cheguem ao mercado em embalagens menores, adaptadas à renda mais baixa do consumidor de certos países europeus. A multinacional optou por reconhecer na prática o que políticos rejeitam em declarar publicamente: a pobreza está voltando no continente europeu.

Desde 2009, trabalhadores gregos, espanhóis, portugueses e italianos viram seus salários cortados, com a redução de benefícios e o aumento de impostos. Isso sem contar com a explosão do desemprego que está em um nível recorde no continente europeu.

A projeção é de que, mesmo que a economia europeia volte a se estabilizar, países como a Espanha levarão pelo menos mais cinco anos para voltar a ter o mesmo nível de emprego que registravam em 2007. Ontem, números oficiais mostraram que, em 2011, a economia espanhola cresceu apenas 0,4%, e não 0,7% como havia sido originalmente calculado.

Diante dessa nova realidade, as empresas têm tomado dois caminhos. O primeiro é o de reorientação da produção para a exportação, especialmente para mercados emergentes, onde existe uma perspectiva de que milhões de pessoas saiam da pobreza nos próximos anos e se transformem em consumidores.

Ontem, a Unilever deu claros sinais de que essa não é a única estratégia e que vê a crise como algo de médio prazo. Jan Zijderveld, diretor europeu do grupo, revelou que começou a implementar na zona do euro uma estratégia parecida ao das vendas que realiza em mercados emergentes, principalmente na Ásia. Ou seja, reduzir o tamanho das embalagens e porções, vendendo os mesmos produtos por valores mais baixos, na busca de manter seus clientes.

"A pobreza está voltando para a Europa", disse Zijderveld, em entrevista publicada na versão alemã do Financial Times. "Se um consumidor espanhol gasta agora em média apenas 17 em compras, não podemos vender sabão em pó que custa metade de seu orçamento", disse. / J.C.

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