Europeus cancelam compras de carne bovina do MS, PR e SP

O Ministério da Agricultura confirmou na tarde desta quinta-feira que a União Européia suspendeu as importações de carne bovina do Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. A medida foi tomada como precaução após a descoberta de um foco de febre aftosa em rebanho bovino no Mato Grosso do Sul.A confirmação foi divulgada em nota do Fórum Nacional de Serviços Estaduais de Sanidade Animal (Fonesa) depois de reunião no Ministério da Agricultura. Segundo a nota, Israel e África do Sul suspenderam as compras de carne bovina de todo o País e a Inglaterra, apesar de integrar a UE, optou por uma posição independente e suspendeu as compras do produto apenas do Mato grosso do Sul e do Paraná.Rússia e ChileAs suspensões de compra de carne brasileira incluem também a Rússia e o Chile. Na manhã de hoje, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul), Leôncio de Souza Brito Filho, informou hoje estes países adotariam esta medida.Contudo, a suspensão, nestes casos, refere-se apenas à carne bovina, suína e de frango do Mato Grosso do Sul, onde foi registrado foco de febre aftosa. A produção dos demais Estados não sofreu qualquer embargo por parte destes países.Paraguai e UruguaiOutra medida anunciada hoje veio do Paraguai. As autoridades proibiram hoje a entrada de bovinos e suínos, assim como de carne fresca e de outros produtos animais, procedentes do Mato Grosso do Sul. O Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa) divulgou que a medida, de caráter temporário, representa a proibição da entrada de "animais, produtos e subprodutos de origem animal" procedentes do Mato Grosso do Sul.O Governo do Uruguai também proibiu por decreto a importação de carnes do Brasil, anunciou hoje o vice-ministro da Criação de Gado do país, Ernesto Agazzi. O Uruguai importa principalmente carne de porco de Santa Catarina, livre de aftosa com vacinação. Para evitar a eventual chegada da doença ao Uruguai, o Governo também determinou o controle sanitário dos veículos provenientes do Brasil que entram no país pelas fronteiras terrestres.Controle rápidoO ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse hoje que acredita que o foco de febre aftosa será controlado rapidamente pelo Ministério da Agricultura. Em entrevista à Rádio Eldorado, Pratini de Moraes afirmou que a equipe do ministério é competente e está preparada para resolver a situação, inclusive por já ter enfrentado problemas semelhantes no Mato Grosso do Sul.Exportações AS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CARNE* (janeiro a agosto de 2005)Total: US$ 1,7 bilhãoPrincipais mercadosExportação (US$ milhões)Rússia364Egito192Países Baixos139Chile104Itália80Argélia68Reino Unido68Bulgária52Alemanha45Espanha30Suécia28Israel 26* carne bovina in natura.Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.Pratini de Moraes, que está em Colônia, na Alemanha, participando da Anuga, maior feira de alimentos do mundo, disse que a notícia do foco de febre aftosa no País não afetou as negociações de carne brasileira na Europa."Os europeus, apesar da febre aftosa, continuam adorando a carne brasileira. Todos os importadores têm me falado aqui que gostariam que este assunto ficasse resolvido o mais rápido possível e que não hajam sanções maiores ao Brasil", relatou.Opinião contrária tem a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que prevê uma queda nas exportações de carne bovina do País, por conta do surgimento do foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. Até então, a entidade estimava um crescimento de 28% nas vendas de carne "in natura" este ano, para o valor de US$ 2,5 bilhões, ante US$ 1,962 bilhão em 2004. "Infelizmente, algum reflexo negativo vai ter, que não se pode quantificar agora", disse o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.

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