Europeus consideram positivas medidas na Argentina

Analistas europeus consideram positivas as medidas econômicas anunciadas pelo governo argentino, mas alertam que que elas ainda estão incompletas. Segundo eles, o presidente Eduardo Duhalde precisa apresentar, com urgência, um sólido plano para as áreas monetária e fiscal, que possa abrir caminho para a retomada da confiança internacional no país. "Até esse momento podemos dizer que as medidas anunciadas são necessárias mas não suficientes para recuperar parte da credibilidade perdida e fazer que as as linhas de financiamento internacional sejam reabertas", disse José Ramón Díez, diretor do departamento de economia internacional do banco espanhol Caja Madri. Segundo ele, o fim do regime de câmbio duplo e a pesificação dos ativos e passivos dos bancos "vão na direção correta, pois corrigem os principais erros dos planos anunciados em janeiro" .No entanto, segundo Díez, o conjunto de medidas não pode ser qualificado como um "plano econômico" pois apresenta importantes lacunas. "Não houve uma apresentação do orçamento deste ano e portanto, mais detalhes da política fiscal", disse. "Está se falando que o déficit poderia ficar situado em cerca de 1% do PIB, mas por enquanto as informações são muito incompletas".Além disso, segundo o analista espanhol, ainda não está clara qual será a estratégia de política monetária em relação à inflação. "Até o momento só se sabe que a emissão de dinheiro neste ano será de 3,5 bilhões de pesos, com um adiantamento de um bilhão de pesos do Tesouro, o que na verdade é a parte mais crítica do que foi anunciado ontem."O estrategista-chefe para mercados emergentes do banco Dresdner Kleinworth Wasserstein, Neil Dougall, observou que, para que o novo programa funcione, é necessário que ele seja sustentado por uma estrutura monetária e fiscal crível. "E é justamente nesse ponto que estão as maiores incertezas", disse Dougall. "A questão chave é se o governo, com o Duhalde no comando, vai estar disposto e será capaz de manter os gastos sob controle". Dougall salinetou que o "o histórico de Duhalde nessa área não é bom - ele governou a falência de Buenos Aires, a província mais rica do país." Segundo o analista, no curto prazo o mercado vai monitorar atentamente o comportamento do peso, a investigação na Suprema Corte e a pressão no sistema bancário, causada pela defasagem entre os ativos e passivos.Para o analista Antonio Alvarez, da corretora Brunswick Direct, as novas medidas, principalmente a flutuação do peso, "são a única maneira de a Argentina recuperar o crescimento econômico". Ele alertou, no entanto, que haverá uma maior pressão sobre a moeda argentina após o fim do feriado bancário. "Será o grande teste do peso", disse Alvarez. "Na semana passada, em meio aos boatos de flutuação iminente, o peso caiu no mercado paralelo atingindo a cotação de dois para cada dólar. Na quarta-feira, após o feriado bancário, ele deve se enfraquecer ainda mais." Leia o especial

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