Europeus dizem ao governo que certificadoras deixam a desejar

Europeus consideraram que houve progressos na implantação do novo modelo de rastreabilidade

Fabíola Salvador, da Agência Estado ,

13 de março de 2008 | 17h34

A missão de técnicos europeus mostrou-se insatisfeita quanto ao trabalho desenvolvido pelas empresas que certificam a rastreabilidade do rebanho bovino brasileiro. A missão de veterinários europeus que esteve no Brasil nos últimos 14 dias auditou 27 das 106 fazendas que constam da mais recente lista apresentada pelo governo brasileiro às autoridades do bloco.   Veja também: Falhas apontadas pela UE são repassadas ao governo Fiscais inspecionam tudo, dos animais às instalações Criadores não querem mudança nas regrasQuase 90% da exportação de carne à UE virá de Minas Gerais Veja a íntegra da lista    No encontro, os europeus consideraram que houve progressos na implantação do novo modelo de rastreabilidade, que prevê a certificação por propriedade e não mais por animal. "Eles avaliaram as ações como adequadas, mas disseram que ainda não houve tempo para que elas surtissem efeito", disse o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz. Ainda segundo o secretário, os europeus disseram ter percebido que os pecuaristas brasileiros querem manter o sistema de rastreabilidade e continuar vendendo carne para o bloco.   A missão considerou que há falhas no controle da movimentação de animais. "Eles disseram que algumas propriedades não tinham documentação exigida pela Instrução Normativa (IN) número 17", contou Kroetz, explicando que a IN prevê que todos os animais de uma propriedade sejam identificados por bottons e brincos. Não precisam cumprir esta exigência animais com até dez meses de idade, ou seja, na fase de desmama, e aqueles que foram adquiridos há menos de 30 dias.   Mesmo com as deficiências, Kroetz aposta que a lista de fazendas aptas a exportar para o bloco vai crescer à medida que forem feitas auditorias nas propriedades. Nove delas foram cortadas da lista de 106 fazendas a pedido dos pecuaristas, ou porque não cumpriam as regras de rastreabilidade.   O secretário disse ainda que o mercado da União Européia para a carne bovina do Brasil está aberto, mas que não há logística de venda porque o número de fazendas da lista é muito pequeno. Se for preciso o governo vai descredenciar mais empresas certificadoras. "As certificadoras foram credenciadas para informar ao governo que a rastreabilidade está sendo cumprida. As auditorias mostraram que há falhas", disse.

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