Europeus querem agora Brasil como aliado

UE alertou que estaria atenta para evitar que as licenças protegessem setores específicos

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

A União Europeia (UE) comemorou o fim das licenças de importação no Brasil e acredita que a decisão do governo é resultado da pressão contra as medidas protecionistas. O bloco europeu havia alertado que monitoraria a adoção das novas barreiras no Brasil para dificultar a entrada de produtos importados. O objetivo do monitoramento seria o de garantir que as licenças não fossem usadas para proteger certos setores. Negociadores comerciais destacaram que, se as barreiras no Brasil fossem confirmadas, o governo estaria descumprindo promessa feita no G-20, em Washington. Durante o encontro, os países se comprometeram a não adotar nenhuma medida protecionista nos próximos 12 meses para evitar que a recessão mundial se agrave. "A decisão do Brasil (de abandonar as barreiras) foi racional. Trata-se de um sucesso contra as pressões protecionistas", afirmou o chefe do serviço comercial da UE no Brasil, o francês Fabian Delcros. O diplomata espera que, a partir de agora, Brasil e a UE se aliem para "combater o protecionismo".Mas, apesar das declarações da UE, o Brasil optou por criticar as próprias iniciativas comerciais da Europa, consideradas como distorções pelo Itamaraty.Nesta semana, o Brasil emitiu um comunicado atacando os subsídios dados pelos europeus aos produtos agrícolas. Bruxelas voltou a dar subsídios aos produtores de leite diante da crise. A decisão provocou revolta dos países exportadores de bens agrícolas, já que havia um compromisso de que os subsídios à exportação seriam eliminados em 2013. Os europeus, que já haviam terminado com a ajuda a seus produtores, voltaram a dar dinheiro e distorcer os mercados."Pedimos para que a decisão seja revertida", afirmou o comunicado assinado por Brasil, Uruguai, Argentina, Nova Zelândia, Austrália e outros. "A decisão manda um sinal extremamente negativo em um momento que é importante resistir às pressões por maior apoio e proteção diante da crise econômica", afirmaram os países. "O preço será alto", dizem. Os subsídios, segundo o Brasil, levariam o preço internacional do leite para patamares baixos, prolongando a crise para produtores de todo o mundo.Segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC), os países ricos têm usado os subsídios para proteger suas indústrias. O tema também será alvo de uma revisão pela OMC na semana que vem.

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