Europeus querem produzir etanol em área de Chernobil

Na próxima semana, o mundo marca os 22 anos do pior desastre nuclear do mundo, com a explosão da usina de Chernobil, na Ucrânia. Territórios inteiros do país, além da Bielo-Rússia e outros vizinhos, foram contaminados e a produção agrícola deveria ser retomada em apenas 600 anos. Agora, porém, a alta dos preços do petróleo e das matérias-primas (commodities) mudou a história. Uma empresa européia acaba de assinar um acordo com o governo da Bielo-Rússia para usar as terras contaminadas para produzir cereais que serão usados como matéria-prima para o etanol. Na Ucrânia, alemães estudam investimentos parecidos nas áreas contaminadas para a produção do etanol. Para as usinas, utilizar a área contaminada pode ser a única forma de competir com o etanol brasileiro no mercado europeu.A primeira empresa responsável pela idéia foi a Greenfield Project Management, com sede na Irlanda. O objetivo da empresa é usar as vastas extensões de terras contaminadas e que não podem produzir alimentos para o consumo para cultivar produtos que seriam transformados em biocombustíveis. A Greenfield aposta que, com tecnologia e medidas de segurança para os trabalhadores, a terra pode ser cultivada para o etanol. A empresa ainda garante que promoveu estudos que mostram que, se o cultivo voltar, a recuperação da terra e a descontaminação será mais rápido. "Acredito que alimentos poderão ser produzidos para o consumo humano em 60 anos se começarmos a utilizar a terra", afirmou ao EStado o porta-voz da empresa, Basil Miller. Pelas regras da União Européia (UE), 5,75% do combustível usado pelos países até 2010 terá de vir do etanol. Até 2020, 10% do combustível terá de vir do etanol.Miller admite que só produzindo nessas condições e nessas terras abandonadas é que o custo será equivalente à da produção do etanol no Brasil. "O etanol brasileiro é o mais competitivo do mundo e precisamos ser criativos para chegar ao mesmo ponto. O Leste Europeu é provavelmente o único lugar do mundo onde os custos de produção são parecidos ao do Brasil", disse.UsinasUsinas de etanol sofrem uma pane seca no leste europeu. Na República Tcheca, Hungria e outros países da região, investidores montaram nos últimos dois anos usinas de etanol apostando no crescimento do setor. Mas com a alta nos preços dos cereais e outros produtos, as usinas que são obrigadas a comprar ou importar a matéria-prima estão sofrendo. Algumas delas chegaram a fechar suas portas desde o começo do ano e investidores deixam claro que isso prova que a produção do etanol europeu não é eficiente e só pode ocorrer com um volume importante de subsídios. Para piorar, a seca que atingiu o Leste Europeu complicou ainda mais a situação dos usineiros.

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