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Europeus vão investir US$ 2 bi para montar refinaria em Sergipe

Empreendimento já foi autorizado pela Agência Nacional de Petróleo

Nicola Pamplona, O Estadao de S.Paulo

18 de agosto de 2008 | 00h00

Um grupo de investidores europeus quer fazer do Brasil plataforma de exportação de combustíveis de alta qualidade para os Estados Unidos e a Europa. A empresa, batizada de South Atlantic Refining Company, já negocia com Sergipe a construção de uma refinaria de US$ 2 bilhões perto de Aracaju, que pode se tornar o primeiro empreendimento privado no setor desde o fim do monopólio estatal, em 1997. A refinaria vai processar 200 mil barris de petróleo por dia. O empreendimento já recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e os investidores trabalham para iniciar as operações no terceiro trimestre de 2012. Das 13 refinarias em operação hoje no País, apenas a de Manguinhos, da Repsol, no Rio, é privada. A do Rio Grande do Sul, que pertencia à Ipiranga, foi comprada pela Petrobrás, juntamente com a Braskem e Ultra. As outras 11 pertencem à estatal. Segundo o presidente da empresa européia, David Wood, Sergipe foi escolhido por estar próximo aos dois mercados-alvo e ao continente africano, que será o principal supridor de petróleo do projeto. Além disso, diz, o Estado já tem um parque industrial em boas condições, com suprimento de água e infra-estrutura portuária. Wood descarta a possibilidade de competição pelo mercado interno com a Petrobrás, cuja política de preços é responsável pela derrocada das duas únicas refinarias privadas existentes no Brasil - Manguinhos e Ipiranga. "Os principais produtos são destinados aos mercados do Atlântico Norte. Não pretendemos vender no mercado brasileiro, concorrendo com os agentes existentes. Até podemos vender para eles, se pagarem preços justos, mas não criaremos uma estrutura interna para competir", afirmou o executivo em entrevista, por e-mail, ao Estado. A empresa também não planeja comprar petróleo brasileiro para processar na refinaria. A qualidade do óleo vai depender de análises da anglo-holandesa Shell, fornecedora da tecnologia para a unidade, mas a idéia é aproveitar óleos de baixo preço produzidos na África. A refinaria de Sergipe será configurada para produzir diesel com baixo teor de enxofre, querosene de aviação e nafta petroquímica. "Gasolina e óleo combustível não serão produzidos", diz Wood. Ele informa que a South Atlantic Refining Company tenta atrair investidores de grande porte, incluindo petroleiras globais, para o empreendimento. Até o momento, a empresa é composta por investidores ingleses e espanhóis. A estrutura financeira do projeto também não está definida. "Instituições financeiras brasileiras e internacionais estão sendo consultadas desde o ano passado", conta o executivo, destacando que ainda não houve aproximação com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Wood afirma que a empresa já identificou possíveis entraves à obra e trabalha em estratégia para superá-los, citando como exemplo um "trabalho próximo" a órgãos de licenciamento ambiental. Por isso, ele está confiante no desenvolvimento do projeto, que deve gerar 10 mil empregos durante as obras e 500 durante a fase de operações. No início dos anos 2000, um grupo de investidores árabes anunciou planos para construir uma refinaria no Espírito Santo, mas o projeto não foi adiante.

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