Evento discute o papel dos jornais na era digital

Diários se diferenciam por darem hierarquia aos fatos e apresentá-los de maneira aprofundada e analítica

LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h06

Na contramão das previsões catastróficas da virada do século, os jornais impressos não apenas sobreviveram à internet como se modernizaram e, a cada nova plataforma digital, acentuam a função de "intermediários" entre a informação e o leitor. Em vez de competir com as notícias publicadas ao longo do dia, os diários se diferenciam por darem uma hierarquia aos fatos e apresentá-los de maneira aprofundada, analítica, com opiniões diversificadas e discussão sobre o futuro.

O destino dos impressos foi o tema central do debate O papel do jornal, que reuniu ontem no Rio de Janeiro o diretor de Redação do jornal O Globo, Ascânio Seleme, a diretora de Redação do Valor Econômico, Vera Brandimarte, o editor executivo da Folha de S. Paulo, Sérgio Dávila, e o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour. O encontro aconteceu na sede de O Globo e fez parte da série de eventos promovidos pelo jornal para o lançamento do novo projeto gráfico, no próximo domingo.

Função. "Os jornais não podem ser rápidos e fugazes como a internet. Tem gente que só acredita na notícia quando é publicada no papel. Isso exige de nós a análise, o desdobramento, pensar no depois de amanhã", disse Seleme durante o evento.

O diretor de conteúdo do Grupo Estado destacou que "não há motivo para temer esse ofício de selecionar, contextualizar" as informações. "A abundância é a antessala da saturação e um dos efeitos pode ser a alienação total", afirmou Gandour. "É nesse momento que volta nossa função de intermediadores, de resgatar e potencializar o espírito de prestar serviço ao público."

Dados da circulação dos jornais brasileiros divulgados na última segunda-feira mostram crescimento de 2,3% no primeiro semestre de 2012, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Entre janeiro e junho, a média diária de circulação dos jornais filiados ao Instituto Verificador de Circulação (IVC) foi recorde: 4,5 milhões de exemplares. Para Dávila, da Folha de S. Paulo, "há um pouco de exagero" na visão pessimista sobre o futuro dos jornais impressos. "Não vi outro meio tirar o papel do jornal", afirmou ele.

Internet. Os jornalistas concordaram que a tendência para os próximos anos é de que os jornais cobrem pelo conteúdo publicado na internet. "Fazer um jornal de qualidade custa caro. Não existe jornal independente se a empresa jornalística não tiver saúde financeira que garanta essa independência", disse Vera Brandimarte.

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