Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Evento em São Paulo debate negócios sustentáveis

Seminário da Amcham em parceria com o 'Estado' conta com representantes de Natura, FSB, Citi, Tetra Pak, HP, Sinctronics e Sistema B para apontar modelos de negócio inovadores

Anna Carolina Papp, Economia & Negócios

24 de agosto de 2016 | 06h00

SÃO PAULO - Para discutir a nova agenda do empreendedorismo sustentável no País, a Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham) e o Estado promovem nesta quarta-feira o seminário "Sustentabilidade: a Transformação do Modelo de Negócios". Além de discutir cases inovadores de otimização de práticas e recursos, o evento também marca o lançamento da parceria entre o jornal e a entidade para a realização do Prêmio Eco 2016, premiação já realizada pela Amcham há mais de três décadas.

Na edição deste ano, a organização do prêmio simplificou as modalidades. Cada empresa poderá apresentar trabalhos em duas categorias: Sustentabilidade em Processos e Sustentabilidade em Produtos ou Serviços. Outra novidade é que poderão se inscrever, gratuitamente, startups e microempresas com mais de um ano de operação e que faturaram até R$ 2,4 milhões em 2015.

Haverá também uma modalidade para premiação de empresas B no Brasil. O Sistema B surgiu em 2006 nos Estados Unidos e faz parte da organização americana B-LAB, que certifica empresas geradoras de impacto social positivo.

"É um prêmio de sustentabilidade empresarial reconhecido, independente e de grande tradição. O objetivo é unir propósitos, experiências e recursos para fazer mais e melhor", afirma Deborah Vieitas, CEO da Amcham Brasil. "Trabalhar pela sustentabilidade é um movimento irreversível da nossa sociedade. Na economia de hoje, novos negócios nascem a cada momento e a incorporação de novos modelos de sustentabilidade é fundamental", destaca. 

Além da parceria na realização do prêmio, o Estado hospedará o blog Ecoando, que já está no ar, que trará temas de responsabilidade social e ambiental e também a cobertura do Prêmio Eco, com cases e estratégias de empresas participantes.

"Temos um portfólio renovado que busca manter a essência do jornal de informar e participar de debates relevantes", diz Marcelo Moraes, diretor de marketing do Estado. Ele destaca a iniciativa Empresas Mais, lançada em setembro do ano passado, que avalia as empresas levando em conta seu impacto social e ambiental. "A sustentabilidade é um dos assuntos chave desse início de século, e nós temos a missão de transformar um modelo que já se esgotou, que não funciona mais - e isso é bastante desafiador", diz.

Painéis. No primeiro painel, foram apresentados cases de sustentabilidade de empresas vencedoras de Prêmio Eco 2015. A Schneider Electric, por exemplo, criou em 2009 um programa de treinamento em eletrificação para levar energia a comunidades isoladas. "O Brasil ainda tem 1,5 milhão de pessoas sem acesso à energia", diz Fernando Figueiredo, gerente de Sustentabilidade Brasil da empresa. "Além de levar capacitação, percebemos que também era preciso preparar essa comunidade para empreender e desenvolver aquela região, então fizemos parcerias com o Senai e outras ONGs para oferecer cursos", conta ele. Já foram treinadas 25 mil pessoas pela iniciativa.

Já o Citi desenvolveu o projeto Somar, um programa de treinamento de deficientes intelectuais. "Menos de 1% dos deficientes intelectuais conseguem trabalhar. A maioria têm restrições, mas muitos têm habilidades que conseguiriam desenvolver", diz Priscilla Cortezze, diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da empresa. "Queríamos ir além da inclusão que já estava sendo feita, então foi desenhado um modelo específico para capacitação, para atrair e integrar esse jovem", diz. Hoje, o programa conta com mais de 50 funcionários.

A HP Brasil e a Sinctronics se destacaram com projetos de economia circular, com reaproveitamento de insumos na cadeia produtiva. "Sustentabilidade requer investimento, mas nem sempre monetário. Nós, por exemplo, fazemos qualificação de todos os fornecedores. É preciso colocar regras e premiar esforços", diz Kami Saide, gerente de manufatura e operações de cadeia de suprimentos da HP América Latina. "Você precisa investir em modelos que funcionem, com planejamento estratégico." 

A Sinctronics, unidade de logística reversa do grupo asiático Flextronics, foi premiada pelo reaproveitamento de resíduos na cadeia de eletroeletrônicos. "Não cabe mais a sustentabilidade romântica. A gente trabalha com a sustentabilidade como um aliado. O Brasil tem um ambiente para isso", diz Mileide Cubo, gerente de operações da Sinctronics.

A Tetra Pak foi destaque por incorporar a sustentabilidade em todas as partes do processo, e a especialista em Desenvolvimento Ambiental da empresa, Juliana Seidel, falou sobre os desafios de reciclagem. "O grande desafio no Brasil não é a reciclagem pontual, mas sim conectar todas as partes do processo", diz. "A reciclagem é responsabilidade de toda uma cadeia compartilhada, seja de quem fabrica, vende, distribui ou consome."

Ela também falou sobre o desafio de chamar a atenção do consumidor, que muitas vezes não adota os critérios de impacto social e ambiental na decisão de compra. "O grande desafio é trazer a sustentabilidade para o negócio e para o consumidor. Ele só vai olhar se aquilo despertar o interesse dele."

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