Eventual governo Lula domina perguntas a Figueiredo em NY

As perspectivas de um eventual governo do PT dominaram as perguntas feitas pelos investidores estrangeiros ao diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, em reunião realizada na corretora Merrill Lynch, em Nova York. Os investidores quiseram saber se o BC mantém contatos diários com representantes do PT e as perspectivas de Figueiredo para o caso de Luiz Inácio Lula da Silva vencer as eleições no próximo dia 27."Figueiredo disse que havia contatos diários entre o PT e o BC, não só em nível de diretoria, mas também da presidência", afirmou um dos participantes da reunião. Sobre as perspectivas pessoais do diretor do BC para um eventual governo petista, Figueiredo disse que prefere esperar para ver, mas que avalia como positivo o interesse do PT em dialogar, afirmou a fonte, que pediu para não ser identificada.Um dos investidores questionou Figueiredo sobre a decisão do Copom em elevar a taxa Selic de 18% ao ano para 21% em reunião extraordinária na última segunda-feira. Ele respondeu que a autoridade monetária brasileira não é movida por interesses políticos e que havia necessidade de aumento da taxa para manter a inflação dentro das metas em 2003. O diretor do BC disse ainda que o objetivo da instituição não era fazer movimentos bruscos.Durante a apresentação aos investidores, que foi seguida por uma rodada de perguntas e respostas, o diretor de Política Monetária do Banco Central fez questão ressaltar a posição favorável de solvência do Brasil. "Ele (Figueiredo) enfatizou a melhora significativa do déficit em conta corrente, em quase US$ 10 bilhões no último ano e ressaltou que o País pouco precisa, neste momento, de financiamento externo", disse a fonte.A reunião contou com a presença de representantes de fundos de pensão e outros gestores de recursos, além da participação de representantes de bancos brasileiros que fazem negócios com bancos norte-americanos. Os investidores, segundo a fonte, gostaram da "sinceridade e da forma honesta" com que Figueiredo apresentou as questões importantes que o Brasil enfrenta neste momento.Para estes investidores, não há muito o que o BC pode fazer para controlar a volatilidade do mercado neste momento, pois isso está relacionada às incertezas eleitorais. "Mas o meu sentimento é de que a oposição no Congresso ao futuro governo Lula será mais razoável do que a oposição enfrentada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso", afirmou a fonte.

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