Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Eventual governo Maia deve manter equipe econômica, afirmam aliados

Sentimento é de que, se Temer sair, haverá continuidade tanto em relação aos espaços ocupados no governo como na agenda das reformas propostas

Daiene Cardoso e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 18h10

Com a deterioração do ambiente político e a perspectiva de avanço da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara, aliados acreditam que um eventual governo tampão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) será a continuidade do governo peemedebista no aspecto econômico. Parlamentares apostam que a equipe econômica de Temer seria mantida, com trocas pontuais.

Um aliado de Maia afirma que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, permaneceria no posto. Já os ministros do Palácio do Planalto, como Eliseu Padilha (Casa Civil), Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo) e até mesmo Moreira Franco, que é sogro de Maia, devem ser substituídos. O sentimento é de que, se Temer sair, haverá continuidade tanto em relação aos espaços ocupados no governo como na agenda das reformas proposta pelo atual governo.

Embora o PSD esteja no grupo dos partidos da base aliada que, até o momento, não discute o desembarque do governo Temer, o líder da bancada na Câmara, Marcos Montes (MG), acredita que não haveria mudanças nos rumos da política econômica com Maia na Presidência da República. "Todos sabem que mudança drástica seria uma tragédia para a economia. Com Rodrigo Maia a mudança não seria brusca", comentou Montes.

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Maia é um ferrenho defensor da agenda econômica do governo Temer e atuou, até pouco tempo atrás, como "líder do governo" na Câmara em favor das reformas trabalhista e da Previdência. Hoje, Maia voltou a usar o Twitter e pregou o encaminhamento das reformas no Congresso. "Não podemos estar satisfeitos apenas com a reforma trabalhista. Temos Previdência, tributária e mudanças na legislação de segurança pública", disse pelo Twitter.

A possibilidade de Maia assumir a Presidência no lugar de Michel Temer ganhou força nos últimos dias e vem sendo discutida abertamente por deputados e senadores no Congresso. Segundo interlocutores do presidente da Câmara, uma das vantagens do que vem sendo chamado de "solução Maia" é que, diferentemente do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, não haveria "ruptura" com a coalizão de partidos que está no poder.

Nos bastidores, por enquanto, apenas o DEM e o PSDB emitiram sinais de desembarque do governo Temer. Os partidos do chamado "Centrão" - como PP, PR e PSD - ainda fazem esforços para barrar a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) e não admitem publicamente o abandono do governo peemedebista.

Ingovernabilidade. O presidente interino do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), disse ontem que o País "caminha para a ingovernabilidade" na gestão Temer. O líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), fez críticas à avaliação do tucano. "Quando um integrante de um partido chega a essa conclusão, já tinha de estar longe do governo há muito tempo, né?", comentou Lira.

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Para o presidente de um partido da base aliada, o que pesa contra Temer, neste momento, não é o teor da denúncia por corrupção passiva, mas sim o "clima político" no Congresso de que o presidente não apenas perdeu a governabilidade, como deve ser fortemente atingido pelas futuras delações premiadas do deputado cassado Eduardo Cunha e o doleiro Lúcio Funaro. Esse cenário pode ser decisivo nos próximos dias para que alguns partidos que ainda fazem a sustentação do governo façam o movimento definitivo de saída.

Nos corredores do Congresso, a avaliação é que o governo deu uma "baqueada" após a indicação de Sérgio Zveiter (PMDB-RJ) para a relatoria da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e que esse foi o ponto onde o Palácio do Planalto perdeu o controle do processo. A expectativa é que Zveiter vote pela admissibilidade da denúncia. "Essa semana será decisiva", concluiu Lira.

O parecer de Zveiter será conhecido na próxima segunda-feira, 10. Os governistas manobram na CCJ para tirar os parlamentares que votarão contra Temer. O vice-líder da bancada do PMDB, Carlos Marun (MS), será alçado ao posto de titular no lugar de José Fogaça (PMDB-RS), e Evandro Roman (PSD-PR) substituirá Expedito Netto (PSD-RO) na vaga de titular. O PTB também ensaia tirar Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), notório opositor do governo, da comissão.

 

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