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Evitar novo rebaixamento vira meta do governo

Decisão da Fitch torna mais próxima a perda do grau de investimento por uma segunda agência, o que pioraria o cenário econômico do País

Isadora Peron, Tânia Monteiro, Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 22h59

BRASÍLIA - O rebaixamento da nota do Brasil pela agência de classificação de risco Fitch foi visto pelo Palácio do Planalto como mais um sinal de que o governo precisa, o quanto antes, reorganizar a sua base aliada no Congresso para conseguir aprovar as medidas do pacote de ajuste fiscal.

Interlocutores da presidente Dilma Rousseff admitem que, embora a decisão já fosse esperada, o governo precisa demonstrar ao mercado que vai conseguir reverter o quadro de instabilidade política para evitar o “efeito multiplicador” sobre outras agências. 

Em nota, a Secretaria de Comunicação Social do governo destacou o fato de, “apesar da reavaliação”, a agência ter mantido o grau de investimento do Brasil. No mês passado, a Standard & Poor’s retirou o selo de bom pagador do País.

O texto também defende que o governo “tem adotado uma série de medidas de controle da inflação e reequilíbrio fiscal que contribuirão para estabilizar a dívida pública e recuperar o crescimento da renda e do emprego nos próximos anos”.

Na área econômica, a decisão da Fitch foi considerada “preocupante”. A avaliação é que o prazo ficou ainda mais curto para evitar a perda do grau de investimento por mais uma agência e que é preciso agir rápido para colocar as contas em trajetória de recuperação.

A preocupação no governo é que, se mais uma agência retirar o selo de bom pagador, haja uma fuga de capitais, já que muitos fundos estrangeiros só podem investir em países com grau de investimento em pelo menos duas agências. “Essa sinalização da Fitch mostra que, quanto mais rápido for definido o cenário político e econômico, menores serão os custos para o retorno a uma trajetória de crescimento”, disse um integrante da equipe econômica.

Até agora, não avançou no Congresso nenhum dos projetos apresentados para reverter a previsão de déficit no Orçamento de 2016, como a criação da CPMF e o que trata da repatriação de recursos de brasileiros no exterior.

Congresso. Parlamentares oposicionistas, por sua vez, afirmaram que a decisão agência de risco é reflexo da gestão da economia do governo Dilma. 

As críticas foram encabeçadas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que afirmou que o próprio governo contribui para a instabilidade econômica. Cunha disse que o Planalto sabe que não vai conseguir aprovar a CPMF no Congresso e mesmo assim aposta na medida como uma das formas para equilibrar as contas do País. “Sem o governo fazer a parte dele, é muito difícil você conseguir passar a credibilidade necessária para que as agências mantenham o grau de investimento”, concluiu.

Já o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), avaliou que o rebaixamento já era esperado. “As contas do País vêm se deteriorando de forma extremamente grave e o que é mais sensível a essas agências é a percepção de que o atual governo perdeu as condições, a capacidade de orientar, de sinalizar para uma agenda nova de retomada do crescimento, de controle da inflação e de reanimação da economia”, disse.

Para Aécio, não é adequado o titular da Fazenda, Joaquim Levy, se comportar como um ministro de um governo novo e ir ao Congresso “terceirizar as responsabilidades” da gestão à qual ele pertence.

Para o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), a decisão das agências é reflexo de irresponsabilidades praticadas pela presidente Dilma para vencer a eleição. / COLABORARAM RICARDO BRITO, DANIEL CARVALHO E DAIENE CARDOSO

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