Evite pagar mais controlando os pré-datados

Para não ter problemas com pagamentos de tarifas por causa da devolução de cheques, o Procon-SP, órgão de defesa do consumidor ligado ao governo estadual, recomenda aos clientes dos bancos um controle das despesas em relação ao salário. Dessa forma, evita-se pagar tarifas desnecessárias e a inclusão do nome no CCF (Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundo) do Banco Central (BC).De acordo com uma pesquisa realizada em maio deste ano pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (USP) a pedido a Associação Paulista de Supermercados (Apas), a inadimplência dos cheques pré-datados nos supermercados aumentou de 1,9%, em dezembro de 1999, para 2,4% em maio deste ano. É a maior taxa de inadimplência registrada no setor desde novembro de 1996.O volume de cheques devolvidos por falta de fundos entre janeiro e maio de 2001 cresceu 21,6% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento nacional do Centralização de Serviços de Bancos (Serasa). O estudo indicou que no acumulado de 2001 de cada mil cheques compensados 12,4 foram devolvidos. O total de cheques sem fundos nos primeiros cinco meses do ano é o maior desde de 1991.Em relação aos cheques pré-datados, uma pesquisa nacional feita pela Serasa entre fevereiro de 2000 e fevereiro de 2001 mostra que a probabilidade de um cheque pré-datado ser devolvido é maior que a de um cheque à vista. Segundo o levantamento, para o cheque à vista, a chance é de 0,22%, enquanto que a de um cheque a ser compensado depois de 61 dias e antes de 90 subia é de 3,17%. Para um cheque com data depois de 180 dias da emissão, a chance de devolução chegava a 10,34% Segundo o supervisor da área de Assuntos Financeiros do Procon-SP, Alexandre Costa Oliveira, o problema, em muitos casos, deve-se à falta de planejamento dos consumidores. Ele aconselha aos clientes de bancos "evitar comprar por impulso e fazer um planejamento do orçamento doméstico, estipulando quanto se pode gastar no mês". Veja mais informações de como economizar na cartilha de orçamento doméstico no link abaixo.Gasto é grande para limpar o nomeUm dos grandes problemas para os correntistas que têm cheques devolvidos são os custos financeiros para limpar o nome. De acordo com pesquisa realizada pelo Procon entre os dias 8 e 13 de março desde ano, as taxas cobradas por cada vez que o cheque for devolvido variam entre R$ 5,60 (Nossa Caixa) e R$ 10,50 (HSBC e Unibanco).Após a segunda devolução, o nome do correntista vai para as listas negras. Ele é incluído no CCF e também passa a constar dos arquivos da Serasa, que mantêm um cadastro com informações sobre devedores (cheque sem fundo no mercado, título protestado, anotação de ação judicial e anotação de dívida vencida). Esta lista é consultada pelas empresas para avaliar a possibilidade de concessão de crédito.Com isso, o cliente fica impedido de receber talões de cheque e perde o crédito, impossibilitando a aquisição de empréstimos, caso precise. Para sair da lista, ainda terá de arcar com uma tarifa que varia entre R$ 17,00 a R$ 29,64. No final, por causa de um cheque devolvido duas vezes, o cliente pode acabar tendo um gasto de cerca de R$ 50,00 para restabelecer seu crédito: R$ 10,50, por cada devolução, e R$ 29,64 para excluir o nome da lista. Para resolver a situação, os correntistas devem procurar as agências bancárias onde têm conta.Burocracia também é grandeA emissão de cheques sem fundos causa também transtornos de ordem burocrática. Depois de quitar a dívida com a empresa ou pessoa para quem o cheque foi emitido, a fim de recuperá-lo, o correntista deve ainda fazer uma carta, conforme orientação do gerente de sua conta bancária. Ele deve anexar a essa carta o cheque recuperado e pagar todas as taxas para regularizar sua situação.De acordo com o Procon, alguns bancos podem cobrar a tarifa para excluir o nome da lista de inadimplentes por cada cheque devolvido. Mas os correntistas que emitirem cheques sem fundo devem estar alertas sobre possíveis cobranças indevidas das instituições bancárias. Algumas delas cobram tarifa de quem excede o limite da conta corrente ou do cheque especial, mesmo que o cheque tenha sido devolvido. Segundo o Procon, a cobrança só pode ser feita caso o cheque tenha sido pago pelo banco.

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