Evo defende preço ´justo´ na negociação com Petrobras

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta sexta-feira que se reunirá pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, entre outros assuntos, deve colocar na pauta do encontro a questão relativa ao preço do gás natural vendido ao Brasil. Em entrevista coletiva realiza no Hotel Sofitel, zona sul do Rio, onde está hospedado para participar da Cúpula do Mercosul, Morales evitou citar o preço ideal pleiteado pela Bolívia para o gás natural vendido ao Brasil. Ele disse apenas que espera um "preço justo" e que a Petrobras será tratada com "muito respeito" na negociação.O presidente usou como exemplo para justificar a necessidade de um reajuste no preço do gás o valor pago hoje pela Argentina, de US$ 5 por milhão de BTU (unidade britânica que mede o poder calorífico do combustível). "Hoje a Argentina paga US$ 5, mas vendemos gás para a térmica de Cuiabá por US$ 1,09. O Brasil é muito compreensivo e muito sensível ao nosso pleito diante de uma diferença como esta. O diálogo está aberto e tecnicamente é provado que subsidiamos o gás para o Brasil", afirmou Evo Morales.O presidente boliviano ainda comentou que o entendimento entre Brasil e Venezuela para a construção de um gasoduto ligando os dois países, possibilidade anunciada na quinta-feira, não afeta a Bolívia. "Há mercado para todo esse gás e trabalhamos em clima de bastante companheirismo com Chávez e Lula", disse, citando os dois líderes como "novo comando na América do Sul". "Temos que acabar com assimetrias e pensar em como atender e resolver o problema energético de todos", disse.Morales também comentou sobre o gasoduto entre Bolívia e Argentina que acaba de ter uma licitação para ser ampliado. Apesar de nove empresas apresentarem propostas para o investimento, a demanda prevista não foi atendida. "Conversei com o presidente Kirchner na noite de ontem e tive garantias de que a Argentina tem como pagar este gasoduto", disse. Indagado sobre a falta de interesse de outras empresas em participar da licitação, ele esquivou-se: "Depois da estatização das reservas, tivemos bons contratos assinados com as empresas, que nos garantem novos investimentos", comentou.

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