Evo surpreende e muda presidente da petrolífera YPFB

O presidente da Bolívia, Evo Morales, nomeou de maneira surpreendente na noite de sexta-feira um novo titular para a empresa petrolífera estatal YPFB, em meio a um complicado processo de colocação em vigência de importantes novos contratos com empresas multinacionais. Guillermo Aruquipa, um especialista em temas energéticos que ocupava o cargo de vice-ministro de Exploração e Exportação de Hidrocarbonetos, assumiu como o quarto presidente da YPFB em apenas 14 meses da gestão de Evo. Arequipa sucede a Manuel Morales, assessor que liderou a equipe boliviana na negociação dos contratos de nacionalização dos recursos petrolíferos do país. "É uma mudança oportuna para seguir melhorando diante de nossos erros", disse o presidente Evo Morales no ato realizado no palácio do governo, em alusão às pressões da oposição política que forçaram a saída de Manuel Morales. A oposição, que tem em suas mãos a aprovação de uma lei chave para a entrada em vigência plena da nacionalização petroleira decretada em maio de 2006, havia pedido reiteradamente na última semana a cabeça do presidente da YPFB. Evo Morales admitiu que o governo pode ter cometido erros, mas destacou que a demissão do chefe da YPFB não se devia a "problemas de corrupção", mas à "conveniência de uma mudança". Os contratos, que impõem um novo regime tributário e submetem às multinacionais à autoridade da YPFB, foram aprovados pelo Congresso em novembro último, mas não foram postos em vigência porque se detectaram falhas na sua adequação às leis correspondentes. Isso obrigou o governo a propor ao Congresso uma lei complementar, cujo trâmite deu a oportunidade à oposição de renovar suas críticas à nacionalização, iniciada em maio de 2006, e submeter a duros interrogatórios o ministro de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, e Manuel Morales. Dentre as empresas afetadas pela nacionalização do gás estão a Petrobras, a francesa Total e a espanhola Repsol YPF, que terão ainda que dividir com o Estado boliviano uma parcela muito maior dos lucros obtidos com a exploração do gás no país. "Peço humildemente que na próxima semana os contratos sejam aprovados", disse Aruqiupa. A lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados, de maioria governista, mas tem tramitação mais lenta no Senado, controlado pela oposição direitista. Manuel Morales ficou apenas dois meses na presidência da YPFB e não pôde cumprir seu declarado objetivo de colocar em vigência os contratos mediante os quais a Bolívia espera receber investimentos de até US$ 4 bilhões nos próximos cinco anos. Esses investimentos, segundo planos oficiais, garantirão o cumprimento de um contrato de ampliação das exportações de gás para a Argentina, além de permitir ao país buscar outros mercados. A Bolívia exporta atualmente 33 milhões de metros cúbicos diários de gás para Argentina e Brasil e bombeará aproximadamente 20 milhões adicionais ao nordeste argentino a partir de 2010.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.