Evolução cambial positiva favorece os investimentos

O déficit de US$ 4 bilhões em transações correntes em julho não foi coberto pelo ingresso de investimento direto – de apenas US$ 78 milhões no mês

O Estado de S. Paulo

30 de agosto de 2016 | 03h15

O déficit de US$ 4 bilhões em transações correntes em julho não foi coberto pelo ingresso de investimento direto – de apenas US$ 78 milhões no mês. Mas o resultado era esperado e mantém a confiança na preservação do equilíbrio do balanço de pagamentos. A situação cambial estimula essa confiança, pois propicia a entrada dos investimentos de longo prazo de que o País precisa para a retomada da atividade econômica.

O superávit comercial de US$ 4,3 bilhões em julho e de US$ 26,6 bilhões no ano é o maior responsável pela melhora da conta corrente, considerado o melhor indicador de saúde cambial. O déficit corrente caiu de US$ 103,6 bilhões em 2014 para US$ 58,8 bilhões em 2015 e é projetado pelo Banco Central em US$ 15 bilhões neste ano. Seria ainda menor não fosse a valorização do real, que já estimula as importações.

O total de investimento direto de julho foi o menor em 21 anos, sob influência da compra do HSBC pelo Bradesco. Mas até dia 19, o saldo já era positivo em US$ 5,2 bilhões no mês e deverá ir a US$ 7 bilhões, calcula o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. Neste ano, o investimento direto foi de 3,89% do PIB e o déficit corrente, de 0,83% do PIB.

Outros sinais favoráveis em julho foram o ingresso de US$ 2,3 bilhões em ações, favorecendo a alta de preços em bolsa, e o aumento de US$ 5 bilhões nas reservas cambiais pelo conceito de caixa (e de US$ 809 milhões pelo conceito de liquidez).

Em julho, as empresas estrangeiras remeteram lucros e dividendos de US$ 1,6 bilhão para o exterior. É uma questão sazonal, também observada no pagamento de juros de US$ 4,6 bilhões. Esses dois fatores são os principais do item rendas primárias, negativo em US$ 6,2 bilhões no mês, US$ 1 bilhão mais do que em julho de 2015. A remessa ocorreu apesar da queda de lucros das empresas, inclusive estrangeiras, mas pode ter sido estimulada pela valorização do real.

O fortalecimento do real poderá ter outros impactos sobre a conta cambial, como maiores despesas com turismo. Isso não ocorreu em julho, quando essas despesas, medidas pelo item viagens, foram de US$ 4,2 bilhões, quase 50% inferiores às de igual período de 2015, nem em agosto, com o resultado influenciado pela Olimpíada.

O ajuste cambial perdeu ímpeto após avançar muito. Parecem criadas as condições favoráveis ao ingresso de capital externo, sem o qual o investimento em infraestrutura será limitado.

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