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Confiança do Comércio cai 4,1% em agosto e atinge menor patamar em cinco anos

Em agosto, o resultado foi determinado pela piora da percepção dos empresários em relação ao momento atual

Idiana Tomazelli, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 10h01

RIO - O Índice de Confiança do Comércio (Icom) caiu 4,1% em agosto ante julho, na série com ajuste sazonal, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o Icom atingiu 86,1 pontos no período. Trata-se do menor patamar da série histórica, iniciada em março de 2010.

"A deterioração da percepção sobre o nível atual de demanda mostra que o Comércio continua enfrentando dificuldades no terceiro trimestre. No terreno das expectativas, a diminuição pontual de pessimismo em relação ao horizonte de seis meses é um resultado favorável mas, por enquanto, insuficiente para sinalizar uma inversão de tendência, considerando-se as previsões cada vez mais negativas para a evolução do pessoal ocupado no setor", avalia o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo, em nota oficial.

Em agosto, o resultado foi determinado pela piora da percepção dos empresários em relação ao momento atual. O Índice da Situação Atual (ISA-COM) caiu 12,1% neste mês, para 56,5 pontos, ao menor nível da série. Já o Índice de Expectativas (IE-COM) avançou 0,4% em agosto, para 115,7 pontos, influenciado pelo menor otimismo dos empresários em relação à evolução da situação dos negócios nos seis meses seguintes. 

"A análise da evolução dos índices em bases trimestrais mostra que, depois de um esboço de recuperação no segundo trimestre, as expectativas voltaram a piorar no terceiro trimestre", detalhou a FGV.

No mês passado, o Icom já havia cedido 0,9% em relação a junho. Com o resultado anunciado hoje, o índice permaneceu na zona considerada "desfavorável" à atividade, abaixo dos 100 pontos. A média histórica do indicador é de 120,6 pontos.

Desde a edição de novembro de 2014, a Sondagem do Comércio passou a trazer oficialmente dados com ajuste sazonal. Até então, o Icom era divulgado apenas com variações interanuais trimestrais. Como a série ainda é recente (iniciada em março de 2010), a FGV adiantou que vai revisar os resultados mês a mês, até que estejam mais consolidados.

A coleta de dados para a edição de agosto da sondagem foi realizada entre os dias 03 e 26 deste mês e obteve informações de 1.233 empresas. 

Serviços. A evolução da confiança do setor de serviços ao longo do terceiro trimestre também reforça a trajetória de desaceleração da atividade. Na média de julho e agosto, o Índice de Situação Atual caiu 8% em relação ao segundo trimestre, enquanto o Índice de Expectativas recuou 8,9%.

Entre abril e junho, o Produto Interno Bruto (PIB) de serviços recuou 0,7% em relação aos três primeiros meses do ano. Na comparação com o segundo trimestre de 2014, a queda foi de 1,4%, a maior da série histórica, iniciada em 1996 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"O perfil de resultados desfavoráveis em ambos os componentes do Índice de Confiança no terceiro trimestre aponta para a continuidade da tendência de desaceleração da atividade econômica do setor nos próximos meses", afirmou a FGV, em nota.

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