Evolução trimestral do PIB mostra perda de fôlego

No primeiro trimestre, economia cresceu 2,7% e, no segundo, 1,2%. Para o terceiro trimestre previsão é alta de apenas 0,8%

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Apesar de a grande maioria dos segmentos da economia ter tido no terceiro trimestre desempenho superior ao registrado no mesmo período de 2009, economistas de consultorias privadas e o próprio Índice de Atividade Econômica do Banco Central indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre está perdendo o fôlego.

A mesma percepção é obtida ao analisar o PIB dos outros trimestres deste ano, que também demonstram menor fôlego na comparação com os meses anteriores.

Os números já divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o PIB dos três primeiros meses deste ano cresceu 2,7% ante o último trimestre de 2009, descontadas as influências típicas do período.

No segundo trimestre o crescimento foi menor, de 1,2%. Agora os economistas projetam um PIB com alta entre 0,5% e 0,8% no terceiro trimestre ante o segundo.

Os números oficiais do PIB para o período que vai de julho a setembro serão conhecidos só em dezembro.

Na semana passada, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central, espécie de indicador antecedente ao comportamento do PIB encerrou agosto praticamente estável na comparação com julho, sinalizando que a economia ficou estabilizada pelo segundo mês consecutivo.

Segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira da semana passada pelo Banco Central, a economia brasileira deve encerrar o ano com expansão de 7,55%. Hoje, um novo Boletim será divulgado. Portanto, a projeção para o resultado do PIB, que por duas semanas consecutivas não teve alteração, pode ser corrigida.

Ajuste. Na avaliação de economistas ouvidos pelo Estado, a desaceleração do ritmo de crescimento da economia ocorre em razão de ajuste do nível de estoques na indústria e da invasão de produtos importados, que acabam tomando lugar da produção local. Mas o comportamento do comércio e do setor de serviços atenuam a perda de ritmo da indústria.

De toda forma, mesmo com essa perda de ritmo da produção industrial, o nível de utilização da capacidade instalada das fábricas é elevado e encerrou setembro em 85,9%, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Essa desaceleração do crescimento da economia de um trimestre para outro não tira, no entanto, o vigor do resultado previsto para o ano. Consultorias privadas projetam crescimento taxas de crescimento de 7,2% a 8% para o PIB de 2010. Estimativa do Ministério da Fazenda divulgada na semana passada indica que o PIB vai crescer 7,5%, um desempenho muito distante da retração de 0,2% registrada no ano passado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.