Ex-assessor de Furlan controlava banco no Caribe

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, tinha em seu gabinete um assessor especial, Renello Parrini, que, de acordo com documentos obtidos na Suíça, controlava um banco no Caribe que mantinha negócios com o Banco Santos. Na última sexta-feira, após uma conversa tensa, Furlan aceitou o pedido de exoneração de Parrini. O agora ex-assessor negou ao ministro que tenha qualquer negócio ilegal, mas optou por sair do governo para evitar desgaste a Furlan e ao ministério. O Planalto foi avisado do caso na sexta-feira.De acordo com documentos publicados na edição de hoje do jornal Folha de S. Paulo, Renello Parrini é um dos beneficiários de uma empresa chamada Beauford, com sede na Suíça, que controla o Bank of Europe, que tem sede em Barbados, no Caribe. O Bank of Europe, por sua vez, tinha negócios com o Banco Santos em uma empresa offshore chamada Alsace Lorraine. Essa offshore está em investigação por suspeita de desvio de recursos.O advogado do Banco Santos, Ricardo Tepedino, disse que não podia confirmar nem desmentir as informações. Ele negou conhecer Parrini, mas confirmou que ele havia trabalhado na Associação Brasil 500 Anos, criada por Edemar Cid Ferreira, ex-controlador do Banco Santos, para promover uma megaexposição de arte na comemoração dos 500 anos de descobrimento do Brasil.O Banco Central informou que o Banco Santos está em processo de intervenção e que, nesse momento, funciona uma comissão de sindicância formada por sete funcionários do BC. Eles levantam informações sobre o que teria provocado a crise financeira daquela instituição e também sobre eventuais ilícitos, como remessa ilegal de dinheiro ao exterior e sonegação fiscal. Os dados, porém, ainda são sigilosos. Até o dia 12 de maio, o BC vai decidir se prorroga o processo de intervenção ou se liqüida o banco.AssessorDe acordo com a assessoria de Furlan, Parrini trabalhava no gabinete há pouco tempo: desde outubro do ano passado. Até então, Furlan não o conhecia e ficou surpreso com as informações sobre os negócios de seu assessor. O ministro o contratou porque queria intensificar a aproximação com a Itália.Parrini é italiano e veio ao Brasil para dirigir a Motovespa. No curto período em que esteve no governo, não chegou a propor nenhuma medida que tivesse sido implantada. Parrini acompanhou Furlan em uma viagem à Itália no início de dezembro, quando a Agência de Promoção de Comércio Exterior (Apex) assinou um convênio que já havia sido negociado antes da chegada do assessor especial.

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