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Ex-banqueiro caça ''tesouros''

Volta de Edemar à mansão de onde foi despejado inclui empurra-empurra e busca por bens sumidos

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

Um ex-banqueiro volta à casa de onde foi despejado para catalogar bens pessoais, obras de arte valiosas são perdidas e depois encontradas em cantos secretos da grande mansão e advogados protagonizam um empurra-empurra por desavenças sobre a preservação do imóvel. O que parece enredo de novela praticamente resume o movimento desta semana na mansão de Edemar Cid Ferreira, do falido Banco Santos.

Na última quarta-feira, o arquiteto italiano Alberto Sauro emitiu documento declarando que 42 obras de arte do ex-banqueiro, avaliadas em R$ 400 mil, não teriam sido encontradas na casa: entre os bens desaparecidos nos 4 mil metros quadrados da residência construída por R$ 140 milhões estavam urnas funerárias, imagens de fotógrafos renomados e obras de artistas pop.

Edemar foi à casa duas vezes nesta semana. Na quinta-feira, o clima entre seus advogados e Vânio Aguiar, fiel depositário do imóvel desde o despejo, no dia 20 de janeiro, esquentou. Houve empurra-empurra e por pouco as divergências não foram resolvidas no tapa. Precisou o advogado Caio Barbosa, nomeado perito no caso pelo juiz Régis Bonvicino, que emitiu a ordem de despejo, fazer papel de árbitro e acalmar os ânimos.

Ontem, o ex-banqueiro e seus advogados voltaram ao imóvel da Rua Gália, no Morumbi, em São Paulo. Sem a presença de Aguiar, percorreram corredores e vasculharam os diferentes cômodos em busca das obras perdidas. Segundo Rubens Tilkian, advogado de Edemar, 31 dos 42 itens dados como desaparecidos foram encontrados. A expectativa é que os demais reapareçam nos próximos dias - o ex-dono do Banco Santos tem autorização para entrar na casa para listar seus bens até sexta-feira.

O prédio e os bens nele contidos devem ser leiloados para ajudar no pagamento dos credores do Banco Santos, que quebrou em 2005, vítima de um rombo estimado na época em R$ 2,5 bilhões. Nas visitas desde o despejo, Edemar levanta os bens que considera de uso pessoal. Esses, após aprovação judicial, serão retirados da residência - o restante será revertido em favor da massa falida do banco.

Entretanto, as desavenças entre Edemar e Aguiar vão além do sumiço temporário das obras de arte - envolvem também a segurança e a manutenção do imóvel. O ex-banqueiro reclama que não teve acesso às imagens das câmeras de segurança - 60, no total - que monitoravam os cômodos da mansão até o dia 20 de janeiro. Após a saída de Edemar, parte das câmeras foi desativada e um novo conjunto de captação de vídeo foi instalado.

Procurado pelo Estado, o fiel depositário da mansão disse que não forneceu as imagens anteriores ao despejo porque não recebeu ordem judicial para isso. "Quando isso ocorrer, eu entrego", disse.

Os advogados de Edemar pediram ontem formalmente a entrega das imagens. A solicitação inclui também acesso a documentos e computadores pessoais - incluindo o de Márcia, esposa do ex-banqueiro -, que teriam sido retirados do imóvel. Os representantes de Edemar reclamam ainda que o sistema de refrigeração da casa, vital para a conservação das obras de arte, foi temporariamente desligado.

A pedido de Bonvicino, o Gaeco - grupo do Ministério Público que combate o crime organizado - acompanha o caso do despejo. Entretanto, segundo um membro do Gaeco, até agora não foi encontrado indício de crime relacionado à administração do imóvel.

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