Ex-banqueiro diz ter pressa

Entrevista - Angelo Calmon de Sá, ex-presidente do banco Econômico

Edna Simão, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2011 | 00h00

O ex-presidente do banco Econômico, Ângelo Calmon de Sá, afirma que abriu mão de ação judicial que poderia render R$ 8 bilhões para tentar chegar a um acordo com o Banco Central (BC). O objetivo é o pagamento das dívidas do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) e acelerar o fim da liquidação extrajudicial da instituição falida.

Calmon de Sá disse em entrevista ao Estado que está cansado de tentar, sem sucesso, um acordo. "O que adianta ter a expectativa de receber se quando isso acontecer eu estiver debaixo da terra?", questiona o ex-banqueiro.

Em 9 de agosto de 1996, o Banco Central decretou a liquidação do banco Econômico. De lá para cá, muitas negociações foram feitas para quitação da dívida, mas nenhuma tentativa de acordo prosperou, afirma Calmon de Sá.

Em dezembro, o Econômico aderiu à proposta de negociação do BC, que possibilita o pagamento das dívidas à vista, com desconto ou de forma parcelada. Agora, os controladores do banco aguardam notificação do BC, que informará o valor da dívida e quais garantias poderão ser utilizadas em seu abatimento. Somente a partir de então a instituição decidirá se fará ou não um acordo.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

De quanto o Econômico teve de abrir mão para aderir à proposta de pagamento de dívidas com o BC com desconto?

A exigência de retirar as ações judiciais contra o BC fez com que abríssemos mão de cerca de R$ 8 bilhões. Vamos ter de pagar mais R$ 16 bilhões, além dos R$ 16 bilhões já pagos.

Mesmo assim é um bom negócio?

Já tenho 75 anos. Vou ficar discutindo isso a vida toda? Não quero aguardar mais 15 anos. O que adianta ter a expectativa de receber, se quando isso acontecer eu estiver debaixo da terra?

Há alguma hipótese de os acionistas saírem com algum dinheiro, depois de pagar o BC?

Os banqueiros não vão receber nenhum dinheiro. Os acionistas do Econômico vão sair com zero. Se sobrar alguma coisa, vai para pagamento de outros credores.

A possibilidade de pagamento à vista com desconto ou de forma parcelada vai ajudar a dar mais agilidade ao fim das liquidações que se arrastam há mais de uma década?

Acho que se não resolvermos isso agora, vai ficar muito difícil. Voltaremos à estaca zero.

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