Ex-banqueiro Salvatore Cacciola chega ao Brasil

Cacciola volta ao País depois de 8 anos foragido da Justiça brasileira e de passar 10 meses preso em Mônaco

da redação, estadão.com.br; com Andrei Netto e Daniele Carvalho, de O Estado de S.Paulo,

17 de julho de 2008 | 05h00

Depois de oito anos foragido da Justiça brasileira e de passar 10 meses numa prisão de frente para o Mar Mediterrâneo em Mônaco, o ex-banqueiro Salvatore Cacciola chegou na madrugada desta quinta-feira, 17, ao Brasil. O vôo JJ 8055 da TAM procedente de Paris pousou no aeroporto internacional do Rio de Janeiro Tom Jobim por volta das 4h31. Cacciola viajou em um setor reservado da classe econômica e acompanhado de quatro pessoas, sendo dois representantes da Polícia Federal.   Ex-foragido número 1 do País, o empresário que, à frente do Banco Marka, ajudou a causar um prejuízo de R$ 1,6 bilhão ao Banco Central foi transferido com escolta de agentes da Polícia Federal.   Veja também: Secretário diz temer que Cacciola seja solto ao chegar ao País Sem algemas e descontraído, Cacciola aguarda retorno ao Brasil Entenda o caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola   Cacciola ganhou o direito de não usar algemas, nem quando chegasse ao Brasil, por decisão do presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Humberto Gomes de Barros, que atendeu ao pedido dos advogados do ex-banqueiro. A decisão foi encaminhada na quarta-feira, 16, no fim da tarde, ao ministro da Justiça, Tarso Genro, e à direção da PF.   O empresário deverá passar cerca de sete horas na carceragem da Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, antes de ser apresentando à Justiça. Ele terá de aguardar pelo início do expediente no Tribunal Regional Federal (TRF) e na Justiça Federal, às 13 horas.   A autorização para a extradição havia sido homologada pelo príncipe Albert II, de Mônaco, há 10 dias, e desde então o Ministério da Justiça negociava com a França a autorização para transitar com um preso pelos aeroportos de Nice e Paris. O último recurso ao Tribunal Supremo do principado, com o qual ameaçava o defensor monegasco de Cacciola, Frank Michel, não se confirmou.     Operação   A operação montada pela Secretaria Nacional de Justiça para transferi-lo começou às 10h20 de quarta-feira, no principado. Um grupo de sete pessoas, entre as quais um adido consular, um promotor e agentes da PF, encontraram-se com o diretor de Serviços Penitenciários, Philippe Narmino, no Palácio de Justiça de Mônaco. Nesse momento, a autorização para remoção do ex-banqueiro foi sacramentada.   Pouco depois das 13h30, horário local - 8h30 em Brasília -, Cacciola deixou a prisão Maison d'Arrêt, na qual viveu desde 15 de setembro. A seguir, ele foi transferido em helicóptero para o Aeroporto Internacional de Nice-Côte d''Azur, em Nice, no sul da França, quando teve seu primeiro contato com o público. Passava das 16 horas quando Cacciola embarcou no vôo AF 7715 da Air France.   A movimentação de policiais franceses chamou atenção dos que esperavam o embarque. Nesse momento, Cacciola permaneceu cerca de 20 minutos exposto ao público, que reagia curioso e tirando fotografias. O empresário não se mostrou constrangido com o assédio dos fotógrafos, mas não quis falar aos jornalistas.   Já no Airbus A320, Cacciola sentou-se cercado de dois policiais. Pediu suco de maçã e permaneceu sentado quase todo o vôo, levantando-se apenas para ceder passagem a um dos delegados da PF que sentava à janela. Na chegada a Paris, foi protegido dos fotógrafos e levado a uma zona de segurança do terminal A do Aeroporto Charles de Gaulle. Lá, embarcaria, às 22 horas, no vôo JJ 8055 da TAM com destino ao Rio de Janeiro, cidade que deixou em 2000, antes de partir para o Paraguai e, em seguida,para Roma, onde viveu em liberdade até 2007.   Sem Constrangimentos   "A operação foi bem planejada e conseguimos contornar as eventuais surpresas jurídicas. O elemento-surpresa foi fundamental", disse, ao Estado, o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, referindo-se ao sigilo da operação.   Tuma esclareceu que a orientação inicial era para que o ex-banqueiro fosse obrigado a usar algemas, mas um acordo teria sido firmado entre o preso e os agentes que o escoltavam. "Não havia risco de fuga, mas temíamos, por exemplo, que ele tomasse atitudes impensadas contra a própria segurança, o que não ocorreu até Paris."

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