Ex-CEO da MF Global teria omitido real exposição a bônus europeus

Jon Corzine teria investido US$ 11,5 bi em dívidas soberanas da Europa, quase o dobro do anunciado

Álvaro Campos, da Agência Estado,

29 de novembro de 2011 | 11h44

NOVA YORK - O ex-chairman e executivo-chefe da MF Global, Jon Corzine, investiu US$ 11,5 bilhões em dívidas soberanas da Europa, e confiou em proteções de curto prazo que deixaram a empresa exposta a grandes perdas, segundo noticiado pela Bloomberg, que cita duas fontes com conhecimento do assunto. O valor é quase o dobro da quantia líquida revelada pela corretora a investidores.

Corzine teria conseguido superar as resistências de diretores, traders importantes e gestores de risco para acumular os bônus europeus. Ele usou as operações de hedge, também chamadas de "negócios de compensação", para reduzir o risco reportado a acionistas para US$ 6,4 bilhões, diz a matéria da Bloomberg, citando um relatório da companhia com data de 3 de agosto. Steven Goldberg, porta-voz de Corzine, e Diana DeSocio, porta-voz da MF Global, se recusaram a comentar o assunto.

Separadamente, o New York Times noticiou que quase US$ 200 milhões em fundos de clientes da MF Global que estavam desaparecidos devem estar em uma conta pertencente ao JPMorgan no Reino Unido. Dias antes de entrar com o pedido de concordata, a corretora teria transferido esses fundos para a conta do banco norte-americano.

Alguns investigadores suspeitam que essa transferência foi a primeira grande irregularidade com os fundos dos clientes. Autoridades também creem que a MF Global não forneceu ao JPMorgan toda a documentação necessária sobre os fundos transferidos. Tanto o banco como a corretora se recusaram a comentar o assunto. Um porta-voz do curador que cuida da liquidação da MF também não quis se pronunciar. As informações são da Dow Jones.

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