Ex-chanceler critica política comercial externa de Lula

O ex-chanceler Celso Lafer alertou hoje que o Brasil pode perder competência nas negociações de âmbito internacional, em razão do modelo de gestão implantado no Itamaraty na gestão Lula. "O atual governo fez certas mudanças de natureza organizacional que fragmentaram o processo de negociações, em função de uma visão de conjunto truncada. Tenho dúvidas se este é o melhor processo e acredito que o Brasil pode perder densidade e competência negociadora. E eu me sinto à vontade em dizer isso", garantiu.O ex-ministro das Relações Exteriores no governo FHC, professor de Direito da USP e membro do Conselho Consultivo da Organização Mundial do Comércio (OMC), explicou que durante sua gestão no Itamaraty procurou concentrar tudo o que havia de competência, na área das negociações externas, na Subsecretaria de Assuntos Econômicos: "O que fiz foi dar densidade à essa área, porque é importante ter uma visão de conjunto da OMC, Alca, União Européia e Mercosul, já que os temas discutidos são similares."Para ele, as negociações comerciais externas representam sempre um grande desafio e exigem conhecimento aprofundado das matérias. "O preparo é indispensável", avaliou. E completou: "É fundamental o entendimento de empresários e trabalhadores e o aval do Congresso Nacional. Porém, as negociações foram pulverizadas por esse novo governo."Críticas à estrutura atual Após a palestra, o ex-chanceler disse que durante sua gestão no Ministério das Relações Exteriores procurou reforçar a Subsecretaria de Assuntos Econômicos, inclusive em termos de quadros, porque o Brasil enfrentava, pela primeira vez, um conjunto desafiante de negociações. "Em vez de seguir a tradição de ter um sistema montado em torno das negociações, me pareceu importante montar um sistema em torno dos temas. Então, se você tem alguém que se interessa por barreiras técnicas no comércio, como segurança, e estuda isso para a Alca, você pode se valer desses conhecimentos também para a OMC ou União Européia."Além disso, Lafer acredita que os interesses do Brasil só podem ser efetivamente levados em conta no seu conjunto se houver uma visão de todas as negociações que estão em andamento. "Daí a importância da estrutura anterior, que foi fragmentada no atual governo", disse. Ele reiterou que estava emitindo uma opinião estritamente pessoal. "Até por acreditar que o modelo que implantei na minha gestão era o correto."

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