Ex-chefe da Receita se entrega e admite conhecer intermediário

O ex-chefe da Delegacia Regional de Arrecadação Tributária (Derat) do Rio José Góes Filho afirmou nesta segunda-feira, com exclusividade à Agência Estado, ter sido apresentado no início de 2003 a Alberto da Silva Correa Neto, acusado pela Polícia Federal de ser o principal intermediário do suposto esquema que apagaria dívidas de empresas com o Fisco. Ele negou, porém, saber de qualquer tipo de atuação ilegal de Correa Neto na Receita Federal e declarou ter tido pouco contato com ele.Góes Filho se apresentou na noite desta segunda à Polícia Federal para cumprir prisão temporária decretada pelo juiz Lafredo Lisbôa, da 3.ª Vara Federal Criminal. "Alberto me foi apresentado por um aluno, que passou um dia lá na delegacia para tomar um café e levou esse cidadão", contou o ex-delegado, que também é professor de contabilidade. "Depois, vez ou outra, umas três, quatro, cinco vezes, (Alberto) passou por lá e foi me cumprimentar, não sei o que estava fazendo lá. Nas 2.300 ligações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal, com autorização legal, esse cidadão nunca falou comigo. Se alguém tinha lobby comigo, por que nunca falou comigo?"As afirmações contestam a representação do delegado da PF Maurício Mannarino Teixeira Lopes, segundo a qual Correa Neto tratava das fraudes com Góes, que levantaria na Receita as empresas que pudessem precisar dos "serviços". No mesmo documento, o policial também descreve a suposta atuação, dentro da Receita, de intermediários em conluio com servidores públicos. "Absolutamente, não há esse tipo de contato", afirmou Goés Filho. "A delegacia do Rio é extremamente séria. Temos 14% da arrecadação do Brasil."O ex-chefe da Derat disse que estava entregando à PF documentos comprovando que os créditos utilizados no abatimento das dívidas eram idôneos e atribuiu as acusações a uma suposta "briga política" entre o corregedor-geral da Receita Federal, Moacir Leão, e a cúpula do órgão.

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