Ex-controlador em conflito com Manah

O conflito entre o grupo Bunge e os minoritários da Manah está longe de chegar ao fim. Mesmo depois de o grupo argentino ter modificado a reestruturação dos seus negócios de fertilizantes, os desentendimentos continuam. A briga levou à renúncia do fundador e ex-controlador da Manah, Fernando Penteado Cardoso, ao assento no conselho de administração da empresa, em 28 de agosto, dias antes da assembléia que aprovou um novo processo de reestruturação da companhia.Desde que vendeu mais de 50% das ações ordinárias para a Bunge, em março deste ano, Cardoso passou a deter apenas papéis preferenciais da empresa. "É uma participação expressiva", disse, sem revelar o porcentual. "Hoje sou um mero acionista, sem direito a voto", afirmou o ex-controlador, que fundou a Manah em 1947. Cardoso decidiu abrir mão do assento no conselho por não concordar com os procedimentos dos novos controladores. Os pontos mais questionados são a reestruturação da área de fertilizantes da Bunge, além de um aumento de capital de R$ 140 milhões da Manah.Briga começou em junhoA briga dos minoritários com a Bunge começou em junho deste ano, quando o grupo anunciou a remodelagem. Pela operação, a Manah seria incorporada pela Fertilizantes Serrana. Os minoritários teriam a opção de se retirar da empresa e vender suas ações para o controlador ao preço de R$ 23,84. O valor foi considerado baixo pelos acionistas e o processo gerou grande polêmica.Isso porque, ao adquirir o controle da Manah, a Bunge pagou um valor superior, de R$ 215,84. Além disso, o reembolso aos minoritários também seria menor do que o preço proposto no aumento de capital, de R$ 40,00. Por conta dessa diferença de valores, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu barrar a operação, que foi cancelada.Primeiro processo foi suspensoA Bunge decidiu então mudar os planos. Em 31 de agosto, foi aprovada em assembléia outra proposta de reestruturação, pela qual a Manah vai incorporar a Fertilizantes Serrana, e não o contrário. Cardoso foi contrário à idéia. Segundo seus cálculos, a participação dos minoritários da Manah na nova empresa surgida dessa operação será de 10% - depois que todo o processo estiver concluído e considerando que a Bunge vai subscrever o aumento de capital proposto. A participação atual é de 79%.Na interpretação do seu advogado, Marcos Paulo de Almeida Salles, a deliberação da CVM que suspendeu a primeira operação também impedia qualquer outro ato societário. Para Salles, outra tentativa de reestruturação deveria passar antes pelo crivo da autarquia. Segundo a CVM, a suspensão se referiu às condições apresentadas na primeira proposta.

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