Ex-diretor do BC afirma que tarifas não afetarão inflação

O professor do Ibmec e ex-diretor do BC, Carlos Thadeu de Freitas, defende que a Selic, a taxa básica de juros da economia, seja reduzida gradativamente, respeitando o timing certo, o que, em sua opinião, não tem sido feito pelo atual governo. ?Com base nos últimos índices, que revelaram deflações, por que o Copom não fez uma reunião extraordinária para baixar os juros, como já fez anteriormente várias vezes para elevar a Selic??, questionou, em entrevista à jornalista Mariana Ciscato. ?Não há nada demais no fato de o BC reconhecer que a inflação caiu demais e por isso resolveu baixar os juros antes de sua reunião regular?. Thadeu de Freitas acredita que a Selic cairá entre 1,5 e dois pontos percentuais na reunião de julho. Questionado se os reajustes de tarifas de energia e telefonia, previstos para este mês, poderão comprometer a trajetória declinante da inflação, Thadeu de Freitas foi enfático: ?absolutamente?. O economista acredita que estes aumentos só retirarão mais renda do consumidor e até contribuirão para a derrubada da inflação, considerando que não há demanda na economia. Sobre a queda do preço dos combustíveis, já sinalizada pelo Ministério das Minas e Energia, ele adverte que este não é um fator determinante. ?Se for possível baixar o preço dos combustíveis, melhor, porque vai ajudar a reativar a economia. Mas com ou sem esta redução, a expectativa de queda da inflação já está aí e isto é o mais importante?, acredita. O fato de o BC já ter desistido da meta de inflação ajustada de 8,5% para 2003 não oferece, na opinião de Thadeu de Freitas, riscos à credibilidade da autoridade monetária. ?Em um sistema de metas, é natural que elas sejam alteradas. O erro foi a ambição do BC, que colocou uma meta de inflação muito baixa no início do ano, sendo que a expectativa era alta?. Nesta linha de raciocínio, ele elogia a nova meta, fixada em 5,5% - com margem de tolerância de 2,5 pontos porcentuais para cima ou para baixo - classificando este patamar de ?realista? e ?sem problemas para ser atingido?. Em relação ao dólar, o ex-diretor do BC afirmou que o BC pode agir em três frentes para conseguiu manter a moeda norte-americana em um nível que considere justo. ?Primeiro deve testar um patamar da Selic; se não der certo, deve ir o mais rapidamente possível ao mercado recomprar dívida cambial, e em um terceiro passo deve comprar dólar no mercado?, resume. Para Thadeu de Freitas, mais importante agora do que baixar os juros par reativar a economia, é reduzir o compulsório sobre depósitos à vista ? parcela de recursos que os bancos têm que recolher ao Banco Central ?, evitando mais prejuízos ao crédito. O áudio da entrevista está disponível no site www.aefinanceiro.com.br/entrevistas.

Agencia Estado,

09 Julho 2003 | 16h18

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